Rangel e Pinto Luz no mesmo jantar de campanha — com neons e elogios a quem “vence eleições”

Num jantar-comício em Odivelas, o eurodeputado foi apresentado como uma figura do PSD que “vai ajudar a reerguer o centro-direita em Portugal”.

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Paulo Rangel disse estar a apoiar candidatos como apelou o líder do PSD Rui Gaudencio

O nome Marco Pina passa, intermitentemente, em azul, vermelho e verde em luzes de néon por cima da mesa em que se sentam as anunciadas estrelas do jantar-comício: Paulo Rangel e Miguel Pinto Luz. Não chegaram juntos à quinta de eventos, em Caneças, mas as interpretações sobre a dupla presença neste jantar de campanha – a que Rui Rio não veio no período oficial – engrossaram nos últimos dias.

Os dois rejeitaram outras leituras políticas que não a do apoio genuíno ao candidato autárquico da coligação liderada pelo PSD, mas sobraram os sinais sobre o significado da presença do eurodeputado, que é visto como um potencial candidato à liderança do PSD e do qual Miguel Pinto Luz, também disponível para o próximo ciclo, se tem aproximado.

Depois de o speaker ter apresentado Paulo Rangel como a “esperança” do futuro, foi o próprio Marco Pina quem lhe dirigiu um elogio quando o cumprimentou no púlpito. “O nosso eurodeputado, que sabe o que é vencer eleições, estamos tão gastos, tão fartos de quem não vença”, disse. Quando já se sabe que o PSD terá, em breve, uma disputa eleitoral interna, o candidato apontou Rangel como “uma das personalidades que ajudará a reerguer o centro-direita em Portugal”.

As palavras da candidatura tornaram mais claro o que tanto Paulo Rangel como Miguel Pinto Luz tentaram apagar. À chegada, o eurodeputado justificou a sua presença com o apoio a Marco Pina tal como tem feito com outros candidatos “seguindo o apelo do doutor Rui Rio”. Sem esconder alguma irritação perante a insistência dos jornalistas sobre a leitura da dupla presença, Rangel recusou actuar à revelia da direcção de Rui Rio. “Sou um militante disciplinado”, disse. Questionado sobre o resultado do PSD nas autárquicas do próximo domingo, o eurodeputado considerou que o partido “pode sair reforçado” e que é para isso que “direcção e militantes” estão a trabalhar.

Miguel Pinto Luz, por seu turno, lembrou que a sua presença é justificada por comparecer na campanha de um “amigo” e por ser presidente da comissão de honra da candidatura, recusando a comentar outras leituras políticas desta iniciativa de campanha, que foi publicitada nas redes sociais com a fotografia dos três protagonistas.

No púlpito, só o vice-presidente da câmara de Cascais se referiu às “especulações” sobre as duas presenças para as desvalorizar: “Isso interessa-me pouco”. Fez uma referência ao Plano de Resiliência e Recuperação (PRR), criticando a Comissão Nacional de Eleições sobre a demora na decisão em torno do uso do PRR na campanha de António Costa, mas foi Paulo Rangel que agarrou o tema para criticar o primeiro-ministro. “Se querem ver o que será o destino do país com a governação de Costa e as suas promessas de bazuca é olhar para Odivelas e para o que foi o seu progresso nos últimos 20 anos”, apontou o eurodeputado.

Rangel falou na “infeliz coincidência” de que a “incompetência da governação central socialista estar há muito tempo radicada na câmara de Odivelas” e apelou ao voto no candidato. “A mudança é agora”, gritou. É o lema da campanha local. Para já só do PSD de Odivelas.