Musical de Gus Van Sant conta a “história impossível e ridícula” de Andy Warhol

No seu primeiro espectáculo para palco, o cineasta norte-americano constrói, com uma equipa artística portuguesa, um musical dedicado a Andy Warhol em resposta à encomenda da BoCa. Com apresentações no D. Maria II (23 de Setembro a 3 de Outubro) e no Teatro das Figuras (16 de Outubro), Andy é um dos grandes destaques de uma rentrée que recupera as apostas dos teatros portugueses na programação internacional, num ensaio do regresso à normalidade.

Foto
Bruno Simão / BoCA Bienal de Artes Contemporâneas 2021

Há muito que Andy Warhol povoa o imaginário artístico de Gus Van Sant. Não apenas enquanto um dos artistas mais marcantes do século XX, enquanto ícone da cultura pop ou enquanto figura magnética e inspiradora, mas também enquanto possível sujeito artístico da obra do cineasta. O plano original, datado de mais de 30 anos, passava por um filme que adaptaria a biografia de Warhol assinada por Victor Bockris e que teria, idealmente, River Phoenix como protagonista no retrato do artista enquanto jovem fenómeno — o Warhol chegado a Nova Iorque, de cabelo prateado, rapidamente deixando o trabalho na publicidade para se afirmar como epicentro da cena artística da cidade, das artes plásticas, à música, ao cinema e à moda. Gus Van Sant acabara de estrear Drugstore Cowboy (1989) e começava a tornar-se um realizador com um percurso suculento para os estúdios de Hollywood. Pô-lo no caminho de alguém tão fascinante quanto Warhol parecia uma receita infalível.

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