Quase quatro anos depois, Sporting volta à Champions em duelo de “irmãos”

Os “leões” recebem nesta quarta-feira (20h, Eleven Sports) o Ajax, em Alvalade, na estreia no grupo C da Liga dos Campeões. Este é um jogo entre “irmãos”, já que Sporting e Ajax partilham muitas características comuns – no campo e fora dele.

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Jogadores do Sporting treinam em Alchochete LUSA/RUI MINDERICO

22 de Novembro de 2017 foi o dia em que o hino da Liga dos Campeões tocou pela última vez no Estádio de Alvalade num jogo da fase de grupos da prova. Quase quatro anos depois, o Sporting é, novamente, equipa de Champions. Os “leões” recebem nesta quarta-feira (20h, Eleven Sports) o Ajax, em Alvalade, na estreia no grupo C. Este é um jogo entre “irmãos”, já que Sporting e Ajax partilham muitas características comuns. À cabeça, são ambos conhecidos por serem clubes essencialmente formadores.

Não só não têm pudor em apostar nos jovens formados nas respectivas academias – e os actuais plantéis comprovam-no – como formaram muitos dos principais jogadores locais: Luís Figo, Cristiano Ronaldo ou Paulo Futre, em Portugal, Johan Cruyff, Dennis Bergkamp ou Marco van Basten, nos Países Baixos.

Depois, são crónicos candidatos ao título nos campeonatos internos e dividem esse favoritismo com mais dois rivais: FC Porto, Benfica, PSV e Feyenoord. São ainda equipas das capitais e, futebolisticamente, têm um palmarés algo limitado em provas europeias neste milénio – ambas tiveram glória no século XX, mas ainda a procuram no novo século.

Rúben Amorim, treinador do Sporting, apontou na antevisão da partida que as semelhanças e diferenças entre os clubes. “São dois clubes com a mesma filosofia, conhecidos por formarem jogadores. Mas são clubes em momentos diferentes. Basta olhar para o investimento e experiência do Ajax. Ainda há pouco tempo estiveram na final da Champions. Está num momento diferente e nós temos de passar vários mercados e formar vários jogadores para chegarmos a esse patamar”.

Além das semelhanças históricas e estratégicas, estas são duas equipas com perfis futebolísticos também semelhantes. Entre 32 equipas na Champions 2020/21, o Ajax foi a sétima com maior percentagem de posse de bola. No entanto, num dado raro para este tipo de equipa, foi a quinta com mais passes longos realizados.

Estes dados indicam que, tal como o Sporting, o Ajax é uma equipa que gosta de construir desde trás e não tem problema em ter a bola, mas que explora o espaço e a profundidade assim que tem essa possibilidade. Rúben Amorim lembrou precisamente que o Ajax “é uma equipa que tem sempre a bola” e que o Sporting “terá de contrariar isso”.

No caso do Ajax há ainda dois dados curiosos que podem adoçar o apetite “leonino”: foram a sexta equipa com pior percentagem de passe na última Champions – e sabe-se o quanto o Sporting castiga os adversários na transição após recuperação – e foram a quarta mais faltosa – os “leões” têm várias armas para as bolas paradas.

O Sporting parte para este jogo com ausências de peso, nomeadamente Pedro Gonçalves e Coates. “Um foi o melhor marcador do último campeonato, o outro foi o melhor jogador, é o líder e um dos nossos jogadores mais experientes na Europa. Tem um impacto grande a falta do Coates”, reconheceu Amorim.

Mas não há, ainda assim, uma equipa totalmente virgem nestas andanças. Sendo certo que jogadores como Paulinho, Jovane, Nuno Santos ou Inácio nunca jogaram no maior palco do futebol mundial, o Sporting tem a experiência de Neto ou mesmo do recém-contratado Sarabia, ambos com tarimba na Champions. Há ainda o caso curioso de Adán, que já esteve na ficha de jogo em seis edições da prova, mas conta apenas com quatro jogos realizados.

Do lado contrário, o Ajax conta com Dusan Tadic e Daley Blind como principais vozes da experiência. Tem, depois, muito talento jovem como Gravenberch ou Alvarez, no meio-campo, ou os brasileiros David Neres e Antony, responsáveis por agitar o jogo a partir das alas.

Há, por fim, um jogador de perfil diferente do que o Ajax tem tido no ataque. Depois de alguns anos de jogadores móveis, o clube holandês tem, agora, um ponta-de-lança com essas mesmas valências associativas, mas também com capacidade de lutar entre os centrais. Depois de ser um flop em Inglaterra, Sebastien Haller juntou-se ao Ajax apenas em Janeiro da época passada, mas a tempo de somar 13 golos e oito assistências. Nesta temporada, leva quatro golos em cinco jogos.

Em suma, o Ajax tem talento na criação (Blind, Gravenberch e Tadic), capacidade no desequilíbrio (Antony, Berghuis e Neres) e alguém para finalizar (Haller). Dono de uma zona defensiva sempre coesa – e confortável a jogar em bloco baixo –, o Sporting tem, em teoria, argumentos para suster os neerlandeses.