Tubarões avistados na Figueira da Foz são “mais curiosos do que agressivos”

Não há certezas sobre a espécie mas é provável que fossem tubarões azuis, que são inofensivos.

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Tubarão-azul Jeremy Stafford-Deitsch
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Praia do Cabedelo Manuel Roberto

No domingo, dia 12 de Setembro, três “pequenos” tubarões foram avistados na praia do Cabedelo, no concelho da Figueira da Foz, o que levou à interdição da prática balnear. Estes avistamentos tão a Norte não são comuns, mas também não são inéditos. Ao largo de Portugal nadam espécies que pouco têm de perigosas. Apenas carregam um nome, muitas vezes injustamente, mal-afamado.

O alerta foi dado por escolas de surf na Casa, uma praia adjacente não vigiada. “Por precaução”, o capitão do Porto e comandante local da Polícia Marítima da Figueira da Foz, João Lourenço, “deu indicações para que a praia do Cabedelo fosse interditada a banhos”, pode ler-se no comunicado publicado no site da Autoridade Marítima Nacional.

“Para o local foram activados os elementos do Projecto SeaWatch, pertencente à Autoridade Marítima Nacional, que monitorizaram a área, sem que tivesse sido avistado qualquer animal”, pode, ainda, ler-se no comunicado. A Autoridade Marítima desconhece qual a espécie de tubarões avistada, mas João Lourenço admite à Lusa que se possa tratar do tubarão-azul, “que é inofensivo”.

Nuno Queiroz, investigador do Centro de Investigação de Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), da Universidade do Porto, presume mesmo que os tubarões “pequenos” tenham sido tubarões azuis, a espécie mais comum nas águas portuguesas, principalmente nos últimos anos. Outro indício é o facto de “andaram em grupinho pequeno, próprio dos tubarões azuis”.

Apesar da má fama que os tubarões carregam, neste caso considera que não existe perigo para os banhistas. O especialista em grandes predadores refere que “os tubarões azuis são animais mais curiosos do que agressivos”. O investigador admite que possam ter existido ataques no mundo, “mas não é, de todo, comum”.

Para o investigador, é bastante comum a presença de tubarões azuis na costa portuguesa durante o ano todo por ser aqui que têm as crias. “Eles usam toda a costa este do oceano Atlântico como um berçário. No final da Primavera as fêmeas grávidas vêm para a costa africana e portuguesa e dão à luz”, refere o cientista. “O normal é andarem de um lado para o outro. O Atlântico é o habitat deles”, acrescenta.

Salienta, no entanto, “ser mais comum no Algarve e no Alentejo e não tanto a Norte”, como a Figueira da Foz. “Acima de Lisboa, por norma, costumam afastar-se da costa”, diz o investigador. E se não é incomum serem avistados no Sul, “no Norte, é bastante estranho”, revela Nuno Queiroz que menciona como causa deste fenómeno o facto de “a água nesta zona ser menos nítida, ser mais turva devido à quantidade de rios existentes”. Também o capitão João Lourenço declarou à Lusa “não ser recorrente, mas também não é inédito”.

A causa da aproximação da costa da Figueira da Foz é difícil de apurar, segundo reconhece o cientista Nuno Queiroz. “Durante os confinamentos houve um aumento do número de avistamentos, o que levou a crer que pudesse ser por existirem menos pessoas nas praias, menos movimento, menos ruído. Agora, é difícil saber.” No entanto, refere que “pode ter a ver com o aumento da nitidez da água. “

Já quanto à temperatura da água, que tende a aumentar devido às alterações climáticas, poderá, no futuro, segundo o biólogo, precipitar e multiplicar este fenómeno. Como explica, esta espécie de tubarão tem tendência para procurar águas amenas. Se as águas do Sul se tornarem muito quentes, a probabilidade é nadarem para Norte, admite o cientista. E o certo é que o mar tem estado mais quente nos últimos dias na costa atlântica.

Texto editado por Ana Fernandes