Ser despejado

Existe uma classe média mitigada que não tem visibilidade, não é nomeada — é como se não existisse.

Na meia-idade, um ar vulgar, cortês no cumprimento informal de rua, um vizinho, daqueles com quem nos deparamos com frequência, mas raramente trocamos mais do que palavras de circunstância. Naquele dia, sentado, prostrado à porta do prédio, soluçava. Meti conversa. Esperava a carrinha de mudanças. Recebera ordem de despejo. O prédio havia sido vendido e, depois de dez anos ali, vira-se obrigado a mudar. Projectava uma solução intermédia — ir viver com uma irmã durante alguns meses, enquanto continuava a procurar um apartamento digno a um preço comportável, coisa que ainda não conseguira encontrar. Na actualidade, um andar semelhante ao que abandonava subira para o dobro do preço, enquanto o ordenado se mantivera e o valor das despesas aumentara.