Disney vai voltar a estrear os seus filmes prioritariamente nos cinemas

Eternals, West Side Story, Encanto, e outras estreias até ao final do ano, ficarão exclusivamente nas salas pelo menos um mês antes de chegarem à plataforma de streaming.

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West Side Story, e Steven Spielber, tem estreia agenda para Dezembro DR

A Walt Disney Co. anunciou esta sexta-feira a decisão de voltar a estrear as suas produções nas salas de cinema, deixando a sua distribuição em streaming para um mês ou 45 dias mais tarde, ao contrário da prática estabelecida durante os meses de pandemia, em que optou por fazer sair os seus filmes simultaneamente nos dois lados.

Em comunicado, a major norte-americana de cinema e entretenimento explicou que esta medida vai contemplar todos os filmes com saída anunciada até ao final do corrente ano, como são os casos de Eternals, West Side Story e Encanto. A estreia deste último, uma comédia de animação realizada por Jared Bush, Byron Howard e Charise Castro Smith – Encanto conta a história de uma família que vive numa casa mágica nas montanhas da Colômbia –, vai ter lugar nos cinemas a 24 de Novembro e só chegará aos ecrãs da Disney+ a seguir ao Natal.

Eternals, que Chloe Zhao (Nomadland - Sobreviver na América) realizou a partir de uma história da Marvel, com estreia anunciada para o início de Novembro, e o remake que Steven Spielberg fez de um dos grandes clássicos do musical, West Side Story, com saída em Dezembro, permanecerão exclusivamente nos cinemas pelo menos 45 dias antes de chegarem ao streaming, avançou a Disney.

Este anúncio vem de encontro às expectativas dos proprietários das salas de cinema, particularmente afectados pelo confinamento causado pela pandemia da covid-19. Resta saber, como refere a agência Reuters, se a prevalência da variante Delta não irá refrear o optimismo dos distribuidores e exibidores, mantendo o grande público ainda bastante afastado dos cinemas convencionais e a preferir ver os filmes na segurança das suas casas.

A Disney evoca o bom desempenho da história de Kung Fu Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, de Destin Daniel Cretton, que, depois de ter sido estreado nos Estados Unidos apenas em sala em meados de Agosto (e na Europa, no início de Setembro), bateu um recorde no último fim-de-semana do Dia do Trabalho no país (e no Canadá), somando perto de 95 milhões de dólares (quase 80 milhões de euros). Mas a verdade é que os números do box-office, nos Estados Unidos e um pouco por todo o mundo, continuam muito aquém dos números pré-pandemia.

Referindo-se a este resultado, o presidente da Disney, Bob Chapek, citado pela BBC, disse que Ten Rings “foi uma experiência interessante para nós”. E se a estratégia do patrão da major americana, durante os meses da pandemia – como recorda a AFP –, foi a de se adaptar à realidade e “seguir o consumidor onde quer que ele estivesse”, como admitiu em Agosto, agora o programa é diferente. Na sua agenda de regresso às salas até ao final do ano estão também filmes como The Last Duel (O Último Duelo), um drama histórico assinado por Ridley Scott, com Jodie Comer, Matt Damon e Ben Affleck (estreado esta sexta-feira no Festival de Veneza e que deverá chegar às outras salas europeias em meados de Outubro); a comédia de animação Ron’s Gone Wrong, assinada por Sarah Smith, Jean-Philippe Vine e Octavio E. Rodriguez; e a história de espionagem The King’s Man, de Matthew Vaughn, com Ralph Fienes, Harris Dickinson e Gema Arterton, estes com saídas anunciadas para Dezembro.

Além da resposta ao evoluir da pandemia e dos números do box-office, a presente decisão da Disney não será também estranha à polémica desencadeada pela actriz Scarlett Johansson que no final de Julho decidiu processar a produtora num tribunal de Los Angeles pela decisão unilateral de, no início desse mês, ter lançado o filme da Marvel Viúva Negra, de que é a protagonista, simultaneamente nas salas e em streaming. Uma medida que, alegou a actriz através dos seus advogados, violou o contrato inicial que previa a distribuição do filme na plataforma online apenas três a quatro meses depois da exploração em sala, e que terá resultado numa perda avultada no seu salário, que em parte decorreria das receitas de bilheteira.

Soube-se agora, avança a agência Europa Press, que a actriz de Lost in Translation, uma das mais cotadas no actual box-office de Hollywood, pediu uma indemnização de 100 milhões de dólares (perto de 85 milhões de euros) como compensação para as suas perdas. Um processo (e uma verba, e um precedente) que certamente também pesou na alteração da estratégia da Disney.