Selecção nacional com “buracos” para tapar em Baku

Portugal defronta o Azerbaijão sem Cristiano Ronaldo, mas também Pepe e João Palhinha deverão ser baixas em Baku. E se é legítimo perguntar que equipa poderá dizer que ataca melhor sem Ronaldo, pode perguntar-se também que equipa defenderá melhor sem Pepe e Palhinha.

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André Silva deverá ter lugar no ataque de Portugal EPA/RICARDO NASCIMENTO

A eterna discussão sobre se Portugal joga melhor com ou sem Cristiano Ronaldo tem sido frequentemente “esvaziada” pelo craque português – fá-lo com golos. Nesta terça-feira (17h), frente ao Azerbaijão, em jogo de qualificação para o Mundial 2022, Portugal vai a jogo sem Ronaldo, castigado, mas não só.

Fernando Santos apontou que Pepe e João Palhinha também não deverão ir a jogo, por lesão. E se é legítimo perguntar que equipa poderá dizer que ataca melhor sem Ronaldo, pode perguntar-se também que equipa defenderá melhor sem Pepe e Palhinha. Provavelmente, nenhuma.

E esta pergunta ganha ainda mais legitimidade se considerarmos que Portugal, tradicionalmente coeso na defesa desde que Fernando Santos pegou na selecção, leva onze golos sofridos nos últimos oito jogos oficiais – uma média de mais de um golo por jogo, algo que não sugere bons ventos com uma mudança defensiva tão profunda.

Como na famosa anedota da criança que, ao aprender a andar de bicicleta, exibe à mãe que consegue andar sem as mãos no guiador e os pés nos pedais, Portugal vai defrontar os azerbaijanos sem “mãos” e sem “pés” – leia-se sem o grande “guardião” da fortaleza defensiva, Pepe, sem o principal “segurança” dessa linha defensiva, Palhinha, e também sem o principal goleador, Ronaldo.

Há problemas no ataque, no meio-campo e na defesa, mas Fernando Santos crê que não será por aí que Portugal perderá pontos em Baku. “Não é questão que coloque. É uma final e temos de encarar estes últimos quatro jogos para vencer. Não está no nosso pensamento perder pontos aqui. Precisamos de atitude e dinâmica no processo ofensivo e defensivo. Nunca perdem por mais de um golo, mas espero que Portugal possa vencer por outra margem”, apontou, na antevisão da partida.

Azerbaijão mais frágil do que a Irlanda

É certo que Portugal vem de duas vitórias – jogo oficial frente à Irlanda e particular frente ao Qatar –, mas em nenhum dos jogos, sobretudo frente aos irlandeses, a equipa impressionou pelo desempenho.

Ainda assim, o Azerbaijão pode ser, em teoria, um jogo mais acessível do que o da Irlanda. É certo que ambas são formações pouco vitoriosas e pouco goleadoras, mas os irlandeses, que são pouco atrevidos na hora de atacar, conseguem, ainda assim, sê-lo mais do que os azerbaijanos.

Entre 55 selecções, a armada de Baku é a quarta equipa que mais tempo passa no seu primeiro terço do campo (mais do que selecções como Malta, Moldávia, Andorra, Ilhas Faroé e a própria Irlanda), é também a quarta que menos se aventura no último terço adversário e é também quarta que mais cruzamentos permite. Está ainda no pelotão da frente das equipas que mais faltas fazem e mais bolas longas despejam no seu futebol.

Pelos dados do Who Scored esta é, em tese, uma equipa de futebol algo rudimentar e com incapacidade de ferir os adversários e colocar-se em processo ofensivo – mais até do que já algo limitada Irlanda.

Como habitualmente, Fernando Santos não quis interessar-se pelas fraquezas, preferindo fazer um aviso à navegação: para o treinador, o Azerbaijão pode trazer problemas complexos a Portugal.

“Amanhã vamos ter de ser uma equipa muito forte. O Azerbaijão é muito bem orientado pelo Di Biasi. Nos jogos que realizou nunca perde por mais de um golo de diferença e espero que amanhã seja diferente. Defende bem, mas não se esconde aí. Temos de ser muito fortes nos dois momentos do jogo, pois o Azerbaijão é capaz de criar dificuldades nos dois lados”.

Regresso ao 4x4x2?

Em matéria táctica, há, para este jogo, alguma indefinição. É certo que Fernando Santos tem preferido o 4x3x3 em jogos oficiais, mas a presumível postura subjugada dos azerbaijanos pode seduzir o técnico a regressar ao 4x4x2 – modelo que até testou há dias frente ao Qatar.

Foi também com maior número de jogadores na zona central do ataque que chegaram os golos de Ronaldo frente à Irlanda, ainda que aí tenha parecido mais pela aglomeração do que pelo engenho. Ainda assim, dificilmente será coincidência perceber que foi quando André Silva começou a atrair marcações que Ronaldo teve as melhores oportunidades de golo.

Apesar de não haver Ronaldo, não será de excluir uma dupla atacante. Caso Fernando Santos prefira manter a base habitual, então poderá haver André Silva no ataque e Diogo Jota, Gonçalo Guedes, Rafa (e até Bernardo) a lutarem por dois lugares nas alas.

Mais atrás, a ausência de Pepe poderá ser a oportunidade de Domingos Duarte ou Danilo, enquanto Palhinha poderá dar lugar a Rúben Neves. João Mário, João Moutinho e o próprio Otávio poderão também estar à espreita de uma oportunidade, depois do bom nível apresentado nos últimos dois jogos.