Conselho de Redacção da TSF responde a Carlos Vaz Marques: pôs em causa “dignidade e competência profissional dos seus pares”

Órgão representativo dos jornalistas da TSF considera as acusações de Carlos Vaz Marques “um ataque totalmente injustificado” à redacção da rádio.

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Carlos Vaz Marques deixou de trabalhar na TSF, onde esteve 32 anos Rui Gaudencio

O Conselho de Redacção (CR) da TSF negou esta sexta-feira qualquer evidência de “bullying profissional” contra o jornalista Carlos Vaz Marques, nota que o mesmo deixou “há anos” de aparecer nas instalações da TSF e acusa-o de colocar publicamente em causa “a dignidade e competência profissional dos seus pares e em alguns casos até o seu carácter”.

O esclarecimento ríspido do CR da TSF foi divulgado esta sexta-feira em resposta às acusações feitas por Carlos Vaz Marques numa publicação que fez a 18 de Agosto, na qual anunciou a saída da TSF e a instauração de um processo contra o Global Media Group, detentor da rádio.

“No seguimento destas afirmações públicas, os membros eleitos do Conselho de Redacção da TSF foram contactados por vários jornalistas da redacção que solicitaram que o CR tomasse uma posição e respondesse às críticas consideradas injustas que visavam a redacção da TSF”, refere o comunicado.

O esclarecimento começa por considerar que a acusação feita por Carlos Vaz Marques é “especialmente grave ao associá-la directamente ao trabalho na equipa em que foi integrado”, ao descrever a situação como “uma forma de bullying profissional”.

“A acusação não exclui os jornalistas que editaram a referida equipa, vários deles com mais de 20 anos de TSF e cujo contributo para a afirmação da rádio é notório”, refere o CR da TSF, que diz ter contactado os jornalistas que trabalharam com Carlos Vaz Marques, entre Março e Julho de 2021, sem que qualquer um tenha “visto ou notado alguma evidência de ‘bullying profissional’ ou qualquer ‘situação atentatória’ da dignidade profissional do jornalista”.

Ainda que ciente de que a utilização das expressões se deverá ao litígio em curso com a administração do Global Media Group, o CR não deixa de lamentar a construção da acusação, “sendo CVM [Carlos Vaz Marques] um profissional com décadas de experiência e conhecedor do peso das palavras, não tenha demonstrado a menor intenção de separar as águas, acabando por envolver outros jornalistas nesta acusação”.

O órgão representativo dos jornalistas da TSF sublinhou também que Carlos Vaz Marques, por razões que “nunca foram explicadas” à redacção da rádio, deixou de frequentar as instalações desta “há anos”. Nas novas instalações, instaladas em 2016, apareceu apenas no final de 2020 quando convocado para uma reunião com o novo director da TSF.

Com o final da rubrica O Livro do Dia, que deixou de ir para o ar em Julho de 2019, o trabalho do jornalista passou a ser apenas o de apresentar e moderar o programa Governo Sombra. Posto isto, e tendo a nova direcção da TSF estimado que o programa ocuparia 40% do tempo de Carlos Vaz Marques, ficou estipulado que iria passar a ser integrado numa equipa de noticiários, três dias por semana, numa redacção que “vive uma situação de escassez de recursos humanos que se tem agravado”.

O CR da TSF realçou que a direcção não tem normalmente “qualquer intervenção directa nos assuntos que chegam aos noticiários”, e os “telefonemas de circunstância” e recolha de declarações a respeito de “temas correntes, frequentemente sem qualquer relevância noticiosa” são necessários ao “principal produto da TSF, os seus noticiários”. Estas tarefas são desempenhadas “pela generalidade dos jornalistas da TSF, inclusive jornalistas com décadas de casa”, refere o esclarecimento, não existindo “nenhuma indicação da direcção” para tratar Carlos Vaz Marques de forma diferente.

Mais ainda, nota que o trabalho do jornalista ficou condicionado por ter optado pelo regime de teletrabalho por razões de saúde, “tornando mais restrito o leque de tarefas” que poderia realizar, tal como “o género nobre da reportagem, tão caro ao antigo jornalista da TSF”.

O comunicado do CR nota ainda a “postura passiva” que Carlos Vaz Marques assumia na interacção com os colegas em reuniões de início de turno e no trabalho desenvolvido. “Chegou a pedir a um editor que lhe indicasse as perguntas que devia fazer, numa atitude pouco comum para um jornalista com tanta experiência”, diz, e para além da reunião inicial todas as comunicações eram feitas por email, o que desde o início “causou estranheza a vários colegas”.

“Perante todo o historial antes descrito, é perfeitamente justificada a indignação sentida por muitos jornalistas da TSF depois de lerem o texto de Carlos Vaz Marques. O jornalista colocou publicamente em causa a dignidade e competência profissional dos seus pares e em alguns casos até o seu carácter”, conclui o esclarecimento do CR, lamentando que problemas internos tenham de ser debatidos em público.

“O texto de despedida divulgado por Carlos Vaz Marques faz, no entanto, um ataque totalmente injustificado a uma redacção que não pode nem deve ser envolvida no meio de um processo que objectivamente é, apenas, laboral”, defende.