Fausto Bordalo Dias volta a esgotar salas com Atrás dos Tempos Vêm Tempos

Primeiro o CCB, agora a Casa da Música: mais duas noites esgotadas, sexta e sábado, para ouvir Fausto Bordalo Dias e um revisitar da sua obra em Atrás dos Tempos Vêm Tempos. Dia 25 estará em Braga, no Theatro Circo.

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Fausto Bordalo Dias DR

Começou por ser nome de canção (em 1977), passou a título de disco (em 1996) e é agora mote de uma série de concertos que, ainda em tempos de pandemia, já esgotaram duas salas no CCB, em Lisboa, nos dias 6 e 7 de Maio, e voltam a esgotar mais duas, na Casa da Música (3 e 4 de Setembro), onde Fausto Bordalo Dias marca o regresso aos concertos desta sala portuense. Com ele estará, como convidada, a cantora e fadista Fábia Rebordão. Depois destas duas noites no Porto, o espectáculo será ainda apresentado no Theatro Circo de Braga, no dia 25 de Setembro, às 21h30.

Mas entre Atrás dos tempos outros tempos vêm, título da canção que abria o álbum Madrugada dos Trapeiros (1977), e Atrás dos Tempos Vêm Tempos, duplo álbum gravado em 1996, não há só uma ligeira modificação da frase. Há também o retomar dessa ideia de viagem que desde sempre esteve presente na obra de Fausto, mas desta vez pelas canções. O disco, apresentado como “colectânea de canções (1974-1994)”, é bem mais do que isso. Porque todas as canções aí coligidas (24) foram regravadas durante o Verão de 1996, somando-se-lhes três inéditos.

É esse mesmo processo que, agora em palco e sob o mesmo título (Atrás dos Tempos Vêm Tempos), leva Fausto a viajar pelos álbuns que gravou nestas quase cinco décadas: P’ró Que Der e Vier (1974), Beco com Saída (1975), Madrugada dos Trapeiros (1977), Histórias de Viageiros (1979), Por Este Rio Acima (1982), O Despertar dos Alquimistas (1985), Para Além das Cordilheiras (1987), A Preto e Branco (1988), Crónicas da Terra Ardente (1994), A Ópera Mágica do Cantor Maldito (2003) e Em Busca das Montanhas Azuis (2011). Sem obrigação de os incluir a todos, escolhendo deles o que mais se adequa a estes tempos “atrás dos tempos”.

Esta série de concertos de Fausto Bordalo Dias decorre dez anos após o lançamento do terceiro capítulo da trilogia (em discos duplos) que ele dedicou à diáspora portuguesa de navegadores e exploradores na sua procura de novos mundos: Em Busca das Montanhas Azuis (2011), que se seguiu a Por Este Rio Acima (1982) e Crónicas da Terra Ardente (1994). Trilogia que é na verdade uma tetralogia, como o seu autor oportunamente reconheceu, porque a estes discos há que juntar Para Além das Cordilheiras (1987), onde a viagem se estende pela Europa.

Diáspora e revolução

O disco Em Busca das Montanhas Azuis foi apresentado ao vivo nos coliseus em 2012, depois de uma antevisão parcial no CCB, ainda em 2010. Anos mais tarde, em Maio de 2018, e sob o título de Lusitana Diáspora, Fausto apresentou a trilogia precisamente nas salas a que agora regressa, o CCB e a Casa da Música. Um ano depois, o palco foi outro: na noite de 25 de Abril de 2019 esteve no Terreiro do Paço, em Lisboa, com o espectáculo Música e Revolução, tendo com ele os músicos que há muito o acompanham e também uma orquestra dirigida pelo maestro Cesário Costa, num alinhamento com arranjos originais de Filipe Raposo. Depois veio a pandemia, e o quase silêncio que por ele se impôs. E que Atrás dos Tempos Vêm Tempos agora quebra.

Uma nota curiosa: nos discos da trilogia, Fausto Bordalo Dias procurou sempre incluir um apontamento de forma subtil. O desenho da capa de Em Busca das Montanhas Azuis, por exemplo, tem discos voadores (um na capa e outra na contracapa) a sobrevoar a terra africana. Ora na foto oficial que tem sido usada para divulgar estes concertos, e que encima este texto, há também um pormenor: no canto superior direito vê-se, emoldurada, uma outra foto, a preto e branco: a da capa do disco Atrás dos Tempos Vêm Tempos, da autoria de Guta de Carvalho. Na relação entre ambas, a de 1996 e a actual, também se justifica o título – e o espírito do concerto.