Rui Moreira preparado para uma campanha marcada pelo caso Selminho

Candidato independente desafia os seus adversários a falarem do tema ao mesmo tempo que tenta desmistificar a polémica à volta do caso. “Venham falar nisso, não há nenhum problema, não há segredo nessa matéria”.

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Rui Moreira começa a ser julgado no âmbito do caso Selminho a 16 de Novembro Tiago Lopes

Rui Moreira não vê nenhum problema em que o caso Selminho, no âmbito do qual vai ser julgado a partir de meados de Novembro, seja um dos temas que marquem a campanha eleitoral das autárquicas, até porque, diz, o tema “já está na campanha desde o primeiro dia”.

“Há um candidato que não tem feito mais nada do que falar disso todos os dias”, aponta Rui Moreira, sem referir nomes, notando que, há quatro anos, o caso Selminho saltou para campanha quando era candidato a um segundo mandato, e agora não é diferente.

Em declarações aos jornalistas, o candidato independente a um terceiro mandato à frente da Câmara do Porto empenhou-se, contudo, em explicar que não confunde oposição com candidatos eleitorais e tentou passar uma mensagem de alguma tranquilidade relativamente ao tema, talvez embalado pelas 23 mil assinaturas que o Grupo de Cidadãos Eleitores Aqui Há Porto entregou esta quinta-feira no tribunal no Palácio da Justiça do Porto, no âmbito das eleições autárquicas. As 23.101 assinaturas recolhidas "em menos de um mês”, segundo a candidatura, “davam para “fazer três partidos políticos”, nas palavras de Rui Moreira, que ponderou criar um partido por causa da lei eleitoral autárquica, entretanto alterada.

Moreira disse ter formalizado a recandidatura, “não para fazer obras faraónicas” ou “ficar na história”, mas para “fazer a história”. “Este nosso movimento independente quer concorrer à Câmara do Porto e voltar a ganhar as eleições para melhorar a vida dos portuenses. Não é para fazer grandes obras faraónicas, não é para ficar na história, é para fazermos a história. São coisas diferentes, sustentou, em declarações aos jornalistas.

Com a primeira sessão do julgamento marcada para o dia 16 de Novembro, o candidato independente à Câmara do Porto mostrou-se pouco preocupado com o impacto do processo na sua eleição, mas não deixou de reconhecer que a acusação no caso Selminho lhe causou preocupação. Contudo, acredita que os cidadãos do Porto farão a sua avaliação com base no que foi feito, no que representa o movimento e no projecto para o futuro. E desafia os adversários: “Venham falar nisso, não há nenhum problema, não há segredo nessa matéria”.

No processo Selminho Rui Moreira é acusado de favorecer a imobiliária da família, da qual era sócio. No dia 18 de Maio, o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto decidiu pronunciar o presidente da Câmara do Porto “nos exactos termos” da acusação do Ministério Público, que imputa ao arguido o crime de prevaricação, defendendo a sua perda de mandato