“É de partir o coração”: vídeo mostra salmões feridos por causa do sobreaquecimento das águas

Um grupo de protecção ambiental gravou um vídeo onde se vêem as lesões provocadas pelo calor em salmões no rio Columbia, na América do Norte.

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As águas do rio Columbia, na América do Norte, tornaram-se inabitáveis para alguns peixes ao ultrapassar os 21 graus Celsius. A onda de calor que atingiu o Noroeste do Pacífico provocou lesões e infecções fúngicas aos salmões, como documentou um grupo de protecção ambiental.

No vídeo, divulgado pela Columbia Riverkeeper e captado a 16 de Julho, um grupo de salmões vermelhos nada num afluente do rio Columbia com ferimentos no corpo, que a associação diz serem causados pelo stress e sobreaquecimento.

Os salmões terão feito um desvio na sua rota quando regressavam ao rio onde nasceram para se reproduzir. De acordo com Brett VandenHeuvel, director executivo da Columbia Riverkeeper, este foi um esforço do cardume para “escapar a um edifício em chamas”.

Contudo, a alternativa não foi melhor. Para estes peixes habituados à água do mar, uma temperatura de 21 graus Celsius pode ser fatal. Brett VandenHeuvel, citado pelo The Guardian, comparou a situação a alguém a tentar correr a maratona com temperaturas acima dos 38 graus Celsius.

“É de partir o coração ver animais morrerem de forma tão pouco natural”, afirmou Brett, que já viu vários peixes da mesma espécie mortos no rio. “E, pior, pensar na causa dessa morte. Este é um problema causado pelo ser humano, e faz-me realmente reflectir sobre o futuro.”

Os salmões que aparecem no vídeo não serão capazes de se reproduzir no afluente, e morrerão, provavelmente, de doença e stress provocados pelo calor. “Vejo isto como uma previsão profundamente triste do nosso futuro. Mas também o vejo como um apelo à acção. Há medidas que podemos tomar para salvar o salmão, para arrefecer os nossos rios”, defendeu Brett. “Se este vídeo não inspira uma reflexão séria, não sei o que o fará.”

No último mês, a onda de calor na América do Norte causou também a morte de mais de mil milhões de animais marinhos na costa do Pacífico, fenómeno que já tinha acontecido em 2019. Este ano, as temperaturas no Canadá e no noroeste dos Estados Unidos, que ultrapassaram os 49 graus Celsius, provocaram, também, a morte de 500 pessoas.