João Almeida com mão no diploma e olho na medalha

Esta quarta-feira terá dois portugueses em competição no ciclismo, mas não só. É também dia de apuramento em jogo para a selecção de andebol.

Foto
João Almeida na prova de fundo LUSA/TIAGO PETINGA

Se o favoritismo teórico tiver extensão prática, o ciclista João Almeida trará para Portugal um diploma olímpico, atribuído a cada um dos primeiros oito classificados nas provas dos Jogos. Se o português superar a expectativa, então até uma medalha pode ser uma realidade.

É este o contexto para a prova de contra-relógio de Tóquio 2020 (quarta-feira, às 6h de Portugal continental), vertente em que o ciclista das Caldas da Rainha tem valências de classe mundial – de resto, essas virtudes influíram bastante na forma como liderou a Volta a Itália 2020 durante duas semanas.

As casas de apostas dão João Almeida como sexto favorito à conquista do ouro olímpico, atrás de nomes credenciados como Filippo Ganna (Itália), Wout van Aert (Bélgica), Primoz Roglic (Eslovénia), Rohan Dennis (Austrália) e ainda Remco Evenepoel (Bélgica), colega de equipa do português na Deceuninck.

Mas apesar de Almeida estar a estender a mão ao diploma – e estar de olho na medalha –, a classificação entre os oito melhores está longe de garantida: há ainda rivais como Tom Dumoulin (Países Baixos), Remi Cavagna (França) ou Stefan Küng (Suíça).

Na mesma prova, apesar de com probabilidades teóricas de sucesso mais reduzidas, Portugal vai ter também Nélson Oliveira. O ciclista da Anadia, também ele um contra-relogista categorizado, foi sétimo nos últimos Jogos, no Rio de Janeiro, e já somou quatro top 10 em Mundiais de “crono” e quatro títulos nacionais. Não é, portanto, um ciclista vazio de valências na luta contra o cronómetro – se fosse nem estaria, por certo, na curta selecção de dois corredores convocados para Tóquio.

No que diz respeito ao percurso, os 44 quilómetros de “crono” não têm subidas duras, mas tem várias secções de “sobe e desce”. É, em tese, um percurso desenhado para ciclistas com capacidade para produzirem potência em distâncias curtas, mas também com habilidade e controlo da bicicleta nas descidas técnicas que vão surgir. Filippo Ganna é o candidato óbvio ao ouro, mas, pelo tipo de percurso, este é um contra-relógio com “Wout van Aert” escrito na “testa”.

No sector feminino, que vai fazer o mesmo percurso, mas com menos uma volta (serão 22 quilómetros), há uma selecção em busca da redenção.

A prova de fundo ditou o fracasso das holandesas, que eram amplamente favoritas, até pela quantidade de talento que levavam, mas cuja falha de comunicação levou Annemiek van Vleuten a celebrar um ouro que, afinal, era uma prata.

O contra-relógio significa, para os Países Baixos, a possibilidade de reverterem o ouro falhado na estrada. Annemiek van Vleuten, ex-campeã mundial de “crono”, e Anna van de Breggen, medalha de bronze em 2016 e actual campeã do mundo, são as grandes favoritas, seguidas das americanas Chloe Dygert e Amber Neben.

Andebol procura apuramento

Esta quarta-feira traz ainda bons motivos de interesse para quem só vê os Jogos pelos portugueses.

Desde logo segue a participação da selecção de andebol, cujo apuramento para a fase seguinte da prova será jogado frente à Suécia – equipa teoricamente mais capacitada do que Egipto e Bahrein, mas Portugal está, pelas palavras do seleccionador, em crescendo de forma.

De resto haverá acção portuguesa para todos os gostos, entre finais e qualificações. Na luta por medalhas, a equipa nacional estará no dressage individual e, caso as primeiras rondas corram bem, haverá final de Bárbara Timo no judo.

Em qualificações começará a odisseia nacional na vela – Jorge Lima, José Costa, Diogo Costa e Pedro Costa – e na canoagem – para já, apenas com Antoine Launay, o primeiro português a entrar em prova nesta modalidade.