Só 15% das associações que se candidataram a fundo da Câmara do Porto tiveram apoio

Para dar resposta a todos os pedidos eram precisos mais de quatro milhões de euros. Executivo de Rui Moreira vai entregar 800 mil euros a 28 associações da cidade

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Houve 187 pedidos na terceira edição do fundo criado pela Câmara do Porto Paulo Pimenta

A terceira edição do Fundo Municipal de Apoio ao Associativismo Portuense vai apoiar 28 associações da cidade, com 20 ou 40 mil euros para cada, entregando um total de 800 mil euros. A verba foi, mais uma vez, “manifestamente inferior às necessidades”, admitiu o presidente do júri, Helder Pacheco, já que houve 187 pedidos que precisavam de 4,4 milhões de euros para serem satisfeitos. Sublinhando que “nenhuma bazuca chega para dar cobertura” aos pedidos, o historiador pediu, de novo, um aumento da verba para a próxima edição.

Este ano, o júri decidiu corrigir aquilo que considerou um “erro bondoso” das edições anteriores e diminuir a dispersão do fundo para “apoiar melhor” em vez de “apoiar mais”, explicou Helder Pacheco perante o hemiciclo na reunião de câmara desta segunda-feira, a última antes das eleições autárquicas de 26 de Setembro. Em 2020, também com 800 mil euros, a Câmara do Porto apoiou com este fundo - que nasceu de uma proposta da CDU - 97 associações. 

Entre as conclusões mais positivas da edição de 2021, Helder Pacheco sublinhou o facto de quase metade (42%) das colectividades concorrentes terem sido fundadas no século XXI, dando “mostras de grande rejuvenescimento”. Apoiando-se naquilo que foi a natureza dos pedidos, o historiador referiu a solidão como o “inimigo publico número um da cidade”, mas referiu também problemas como a doença, a pobreza, a dependência física e psicológica e mesmo relatos de fome.

Entre as associações apoiadas estão, por exemplo, a ACAPO - Associação dos cegos e amblíopes de Portugal, a APPACDM do Porto, a Cooperativa Árvore ou a associação CASA. 

Mais dinheiro, por favor

Ilda Figueiredo, vereadora da CDU, pediu, mais uma vez, um aumento das verbas para o fundo municipal e lamentou a existência de 77 candidaturas que, tendo sido admitidas, “não vão levar nada”. “Discordo completamente da limitação de dar apoio a apenas 28 candidaturas”, apontou.

O socialista Manuel Pizarro mostrou o mesmo desagrado com o número baixo de candidaturas ajudadas. “Menos de 15% são apoiadas”, referiu, pedindo também um aumento da dotação financeira do fundo. 

Para o vereador do PSD, Álvaro Almeida, a política de apoio às associações da cidade deve ser repensada, concentrando as verbas no fundo, enquadrado por um concurso, e diminuindo os apoios avulso.