“Bolsonaro veio para roubar, matar e destruir”, dizem evangélicos progressistas em manifesto

Coligação de evangélicos identificados com a esquerda é minoritária, mas as sondagens mostram que o Presidente já perde para Lula entre os brasileiros que seguem esta confissão.

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As maiores igrejas evangélicas continuam a apoiar o Presidente brasileiro Alexandre Cassiano/EPA/HANDOUT

Um colectivo de mais de 40 associações de igrejas evangélicas brasileiras emitiu um manifesto em que tecem duras críticas ao Presidente Jair Bolsonaro, que dizem estar no poder para “roubar, matar e destruir”. O apoio a Bolsonaro entre o eleitorado evangélico está a diminuir, mas o chefe de Estado mantém ao seu lado as denominações mais representativas.

A gestão desastrosa da pandemia pelo Governo federal levou várias organizações de evangélicos progressistas a unirem-se numa Coligação de Evangélicos contra Bolsonaro, que tem o objectivo de fazer oposição a partir de um sector social crucial para o Presidente.

Num manifesto publicado esta semana, a coligação diz encarar Bolsonaro “como um agir maligno, que já permitiu a morte desnecessária de mais de meio milhão” de brasileiros. “Acreditamos que Bolsonaro veio para roubar, matar e destruir e, por isso, lutaremos com todas as nossas forças para que nossa democracia se amplie”, dizem os evangélicos.

A ala progressista está longe de ser maioritária entre o movimento evangélico brasileiro, conhecido pelas posições muito conservadoras no campo dos costumes – contra o aborto, pouco tolerante aos direitos LGBTQ+ e defensora de políticas duras contra a criminalidade. Esta é a doutrina tradicional das grandes igrejas, como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que são as mais representativas e poderosas, com um património milionário, uma enorme influência política e muito acesso aos meios de comunicação.

Estas grandes igrejas mantêm-se ao lado de Bolsonaro, sobretudo perante a eventualidade do regresso do Partido dos Trabalhadores ao poder. Sintomático desta relação foi a tentativa recente por parte do vice-presidente Hamilton Mourão, que aproveitou a deslocação a Luanda para a cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para interceder junto do Governo angolano a favor da IURD, que foi expulsa do país sob acusação de lavagem de dinheiro.

Ainda assim, tem sido difícil a Bolsonaro manter os níveis de popularidade também junto deste eleitorado. Uma sondagem do instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) mostrava que o ex-Presidente Lula da Silva conta com o apoio de 41% dos evangélicos enquanto Bolsonaro se fica pelos 32%.