“A nossa médica sabia o que tínhamos. Tenho ‘chorado’ muito por ela”

Na região de Lisboa e Vale do Tejo há cerca de 700 mil utentes inscritos sem médico de família atribuído. O PÚBLICO foi a dois centros de saúde, um numa zona urbana e outro numa área mais rural, onde esta dificuldade é sentida todos os dias. Por quem quer cuidados de saúde e por quem cuida.

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Margarida Jorge e o avô Joaquim. “Estamos os dois sem médica de família. Foi embora. Ligar para aqui é um inferno” Rui Gaudêncio
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Rui Gaudêncio
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Maria Filipe, 73 anos, segura na mão o recorte de várias caixas de medicamentos. “São muitos” Rui Gaudêncio
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Fernando Bragança atende, em média, por dia, entre 20 a 24 utentes que não têm médico de família atribuído Rui Gaudêncio
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Mário Silva, presidente do Conselho Clínico e da Comunidade do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Sintra Rui Gaudêncio

É caso para dizer quem te viu e quem te vê. Aqui não é quem, mas o quê. O novo edifício onde agora funciona o centro de saúde de Algueirão (Sintra) em nada se parece com o de habitação que, até ao dia 24 de Abril deste ano, acolheu esta unidade de cuidados de saúde personalizados (UCSP) e a obrigava a dividir-se por vários andares. Mas se a casa é nova, os problemas são velhos. À entrada do parque de estacionamento, presa nas grades que delimitam a área, uma faixa amarela com letras e números gordos diz tudo: “20.034 utentes sem médico de família.”