PCP critica testes obrigatórios para restaurantes perante demora na vacinação

Jerónimo de Sousa voltou a questionar “onde estão os tão necessários investimentos no reforço do Serviço Nacional de Saúde, para colmatar o défice de profissionais, para a renovação e reforço dos equipamentos, para melhorar as condições de trabalho e atendimento, e para o reforço das equipas de saúde pública”.

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O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou a reforma da PAC LUSA/PAULO NOVAIS

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse, este sábado, em Ovar, não ser admissível que mais de 60% dos portugueses sem a vacinação completa, por o programa estar atrasado, sejam agora obrigados pelo Governo a fazer um teste para entrar em restaurantes.

Jerónimo de Sousa falava numa intervenção no convívio regional da CDU que decorreu em Ovar, no distrito de Aveiro, também aproveitando para fazer a apologia dos candidatos da coligação às próximas eleições autárquicas.

“Não é admissível que mais de 60% dos portugueses, que não têm neste momento a vacinação completa - não por responsabilidade própria, mas porque o plano de vacinação está atrasado devido à falta de vacinas no tempo próprio - sejam agora obrigados, por decisão do Governo, a fazer um teste para entrar num restaurante entre as 19 horas de sexta-feira e as 22h30 de domingo”, assinalou o líder comunista.

Neste contexto, o dirigente perguntou “onde estão os tão necessários investimentos no reforço do Serviço Nacional de Saúde, para colmatar o défice de profissionais, para a renovação e reforço dos equipamentos, para melhorar as condições de trabalho e atendimento, e para o reforço das equipas de saúde pública”.

No mesmo tom, Jerónimo de Sousa questionou também pelos investimentos nos transportes públicos, em mais autocarros e mais carruagens, para promover ao mesmo tempo a redução do contágio de covid-19 e a substituição do automóvel, considerando serem estas as “medidas necessárias” e não “vagas sucessivas de política do medo, do terror e de limitações de liberdades”.

Sempre de dedo apontado ao Governo, o dirigente do PCP questionou o triunfalismo da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia quando “grita vitória pela reforma da PAC [Política Agrícola Comum]”, que “diz ser a mais ambiciosa de sempre”.

“De que nos serve essa vitória se todos os vícios da PAC lá continuam? Se os apoios vão continuar a ser repartidos como até agora, em que 7% dos maiores beneficiários recebem 70% do total das ajudas? Se os apoios vão continuar a ser dirigidos para o grande agro-negócio, reservando para a pequena e média agricultura as migalhas do costume?”, prosseguiu.

No seu entender, “o Governo pode dar respostas se quiser”. Jerónimo de Sousa lembrou, por exemplo, a lei aprovada na Assembleia da República, proposta pelo PCP, que “prevê um desconto na electricidade verde, de 20% da factura para explorações até 50 hectares e 80 cabeças normais, e de 10% para as restantes explorações e para cooperativas e organizações de produtores”.

Sobre a chegada dos apoios inseridos no Plano de Recuperação e Resiliência e no novo Quadro Comunitário de Apoio, o secretário-geral do PCP aconselhou “prudência”, alertando que “não só não se constituirão como alavancas para o crescimento económico e o desenvolvimento do país”, como “obedecem cegamente às orientações externas e estão pensados para favorecer os interesses do grande capital”.

“Falam em 16 mil milhões de euros, incluindo empréstimos, mas só no ano passado o conjunto dos accionistas dos grupos económicos distribuíram dividendos no valor de 7.400 milhões de euros. E nos paraísos fiscais foram postos ao fresco mais 6,8 mil milhões, mais 14% do que em 2019, apesar da epidemia. Somando o que saiu e comparando com o que vem, o saldo é quase zero e ganham sempre os mesmos”, sustentou o líder comunista.