Para já, PJ não encontrou indícios de crime. Noah está desaparecido há mais de 24 horas

Mais de 30 efectivos, drones e equipas cinotécnicas procuram Noah, que desapareceu na manhã desta quarta-feira em Proença-a-Velha, no concelho de Idanha-a-Nova.

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Uma fotografia de Noah divulgada pelos pais nas redes sociais DR

Para já, a Polícia Judiciária não encontrou indícios de que Noah, o menino desaparecido em Proença-a-Velha, no concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, tenha sido alvo de algum crime. A criança terá despertado e ido à procura do pai, que saíra por volta das 5h para trabalhar no campo.

“É uma situação complicada, como todas as situações do desaparecimento”, comentou fonte oficial da PJ. Sempre que há um desaparecimento, colocam-se três hipóteses em cima da mesa: situação voluntária, crime, acidente. “Esta parece ser uma situação acidental, mas é muito cedo para tirar conclusões. É difícil fazer um diagnóstico diferencial sem concluir a investigação.”

Aquele responsável pela comunicação da PJ considera que tem de se analisar este caso à luz do que é a vida numa pacata aldeia do interior de Portugal. Toda a gente conhece toda a gente. As portas de casa não se trancam. As crianças saem ainda pequenas para brincar ou para ir ter com o pai, a mãe ou os irmãos

Na terça-feira, a família deitou-se cedo, como de costume. Por volta das 5h desta quarta-feira o pai levantou-se e foi trabalhar para o campo. O menino de dois anos e meio ficou a dormir no quarto que partilha com a irmã de seis anos. Quando a mãe acordou, por volta das 8h, deu pela sua falta e pela falta da cadela, Melina. Ainda procuraram em redor da casa. Não o encontrando, de imediato alertaram as autoridades. A mãe também lançou um pedido de ajuda à comunidade, via Facebook. 

Os pais terão explicado que Noah é bastante desenrascado. Não raras vezes, vai à procura do pai, que trabalha nas imediações da casa da família. Nessas ocasiões, a cadela costumava acompanhá-lo.

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Da última vez que foi visto, o pequeno louro de olhos castanhos vestia uma camisola cinzenta e uns calções cor de laranja. Em casa, faltava um par de galochas azuis, que se presume ter calçado.

Pelas 9h de quarta-feira, a GNR montou um dispositivo de buscas. Ao longo do dia, o oficial de comunicação e relações públicas do Comando Territorial de Castelo Branco, Jorge Massano, foi explicando o andamento das operações, salientando que “a orografia do terreno não ajuda”. É um terreno irregular, com vegetação densa, vários poços e um rio.

Na quarta-feira à tarde, a cadela foi encontrada sozinha. Não muito longe, alguns dos vizinhos e/ou amigos deram com uma T-shirt do menino. Ali perto, também foram encontradas pegadas eventualmente compatíveis. Tudo isto levou a que as buscas se concentrassem.

Nesta quinta-feira de manhã, as operações de busca, que envolvem PJ, GNR, PSP e bombeiros, foram reforçadas. Pelas 7h30, cerca de três dezenas de efectivos, drones e equipas cinotécnicas procuravam a criança. Dezenas de familiares, amigos e vizinhos ajudavam-nos.

“As buscas durante a noite foram infrutíferas. A criança ainda não foi encontrada. Hoje de manhã as equipas foram reforçadas. Temos 28 efectivos no terreno e três valências empenhadas: equipas apeadas, drones e equipas cinotécnicas”, disse à Lusa Jorge Massano. O capitão explicou ainda que o perímetro das buscas fora alargado, embora se mantivesse dentro de Proença-a-Velha. 

Entretanto, um grupo de mergulhadores deverá juntar-se às buscas.