Julgamento de Ricardo Salgado adiado pela segunda vez

Ministério Público pediu mais tempo para poder analisar e responder à extensa contestação da defesa de Ricardo Salgado.

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LUSA/PAULO CUNHA

O julgamento do ex-banqueiro Ricardo Salgado​, que responde por três crimes de abuso de confiança no âmbito da Operação Marquês, foi adiado, esta segunda-feira, pela segunda vez, ​porque o Ministério Público pediu mais tempo para poder analisar e responder à contestação da defesa de Ricardo Salgado, que tem mais de 150 páginas e mais de 173 documentos. O juiz Francisco Henriques aceitou e decidiu adiar o julgamento para 6 de Julho.

Segundo o procurador Vítor Pinto, “não é humanamente possível” analisar a contestação do arguido num prazo tão curto e por isso requereu o adiamento do julgamento.

A defesa de Ricardo Salgado também tinha apresentado um requerimento na sexta-feira a pedir adiamento. Argumentava com as regras relativas à covid-19, relacionadas com a idade do arguido, de 77 anos, e ao direito de assistir à prova testemunhal.

A este requerimento o juiz respondeu: “Não vale a pena voltar a bater no ceguinho. Já sabem qual é o entendimento do tribunal. Já invocou a nulidade. Não concorda, recorre. Tem recursos”. O juiz já na semana passada disse que se o arguido quiser falar terá de se deslocar ao tribunal.

Assim, ficaram já agendadas sessões para 6, 8 e 13 de Julho. Serão ouvidos José Maria Ricciardi, primo de Salgado e um dos gestores de topo do GES, Amílcar Morais Pires, administrador financeiro do BES, Michel Canals um gestor de fortunas, e Paulo Silva, inspector tributário que investigou a Operação Marquês.

O juiz de instrução Ivo Rosa decidiu pronunciar Ricardo Salgado por alegadamente este se ter apropriado de 10,6 milhões de euros, com origem na Espírito Santo Enterprises, tida como o “saco azul” do Grupo Espírito Santo. Segundo a pronúncia, foram feitas três transferências da ES Entreprises, em 2011, para sociedades offshore controladas por Ricardo Salgado.