Jovem homossexual torturado e morto em Cancún após revelar ser seropositivo

Segundo os representantes da organização Resilientxs, que divulgou o caso no sábado, a vítima, cuja idade não foi divulgada, esteve numa festa no resort de Cancún, na qual revelou ser seropositivo.

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Reuters/JOSE LUIS GONZALEZ

Uma organização não-governamental que defende a comunidade LGBTTI+ denunciou a morte de um jovem homossexual, que terá sido torturado e morto no fim-de-semana na estância balnear mexicana de Cancún depois de ter revelado que era seropositivo.

Segundo os representantes da organização Resilientxs, que divulgou o caso no sábado, a vítima, cuja idade não foi divulgada, esteve numa festa no resort de Cancún, na qual revelou ser seropositivo.

Ao saberem desta informação, alguns dos participantes terão, alegadamente, torturado, queimado e depois matado o jovem. “A vítima foi morta dentro de uma oficina de ferreiro; foi espancado, torturado, queimado e morto assim que comentou que tinha VIH”, disse Edwin Reyes, um representante da Resilientxs, à agência de notícias Efe.

“Este caso gerou muita raiva porque estamos no mês que comemora o orgulho da nossa comunidade e no qual pedimos e exigimos direitos”, acrescentou.

Após tomar conhecimento do caso, o chefe da Comissão dos Direitos Humanos do Estado de Quintana Roo, Marco Antonio Toh, condenou o crime de ódio. Informou também que o Gabinete do Inspector Geral em Cancún levará a cabo os procedimentos necessários para assegurar que seja feita justiça no caso e instou as autoridades a investigar e a assegurar que o crime não fique impune.

Entretanto, a Procuradoria-Geral do Estado (FGE) de Quintana Roo abriu uma investigação pelo crime de homicídio, mas não pelo crime de ódio, porque este crime ainda não está definido no Código Penal.

“A Rede LGBT Quintana Roo, da qual fazemos parte, pediu a todas as autoridades que reformassem o Código Penal para incluir os crimes de ódio, de acordo com as normas internacionais”, explicou Reyes. “Mas não o fizeram, nem nos tomaram em consideração, isto demonstra o abandono institucional que existe no Estado”, acrescentou o activista, que sublinhou que o relatado “não é um caso isolado e que a discriminação contra a comunidade LGBTTI+ nas Caraíbas mexicanas é recorrente”.

Em Quintana Roo, a Comissão Estatal de Direitos Humanos relatou que 33 pessoas foram mortas nos últimos anos devido à sua orientação sexual, identidade de género ou expressão de género.