Vem aí um filme sobre a investigação que precipitou a queda de Harvey Weinstein

Repórteres Meghan Twohey e Jody Kantor verão o seu livro She Said chegar ao grande ecrã. Carey Mulligan e Zoe Kazan deverão ser as protagonistas.

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O caso contra Harvey Weinstein foi um catalisador do movimento MeToo LUCAS JACKSON/Reuters

As actrizes Carey Mulligan e Zoe Kazan estão perto de fechar contrato para protagonizar, num novo filme, a história da investigação do New York Times que, a 5 de Outubro de 2017, denunciou o reiterado comportamento predatório do produtor Harvey Weinstein. Por trás das câmaras estará Maria Schrader, a realizadora da série Unorthodox, da Netflix; Mulligan e Kazan interpretarão as jornalistas Meghan Twohey e Jody Kantor, cuja investigação premiada abriu a barragem de queixas que se veio a cristalizar no movimento #MeToo.

A notícia sobre o novo filme, cujo argumento ainda está a ser escrito mas que já tem elenco e realizadora associados, foi avançada esta segunda-feira pelo site Deadline e tem por base She Said: Breaking the Sexual Harassment Story that Helped Ignite a Movement, o livro que as duas jornalistas publicaram em 2019, desvendando os bastidores da primeira reportagem, e de outras que se seguiram, sobre o caso Harvey Weinstein. O volume, que ficou como crónica do antes e depois de uma viragem cultural – documentando o medo das vítimas, os acordos de confidencialidade que as mantiveram em silêncio, e depois a sucessão de denúncias que precipitou o movimento actualmente em curso tornou-se um best-seller. Em Março de 2020, Harvey Weinstein viria a ser condenado a 23 anos de prisão por crimes de violação e violência sexual.

O argumento do novo filme será de Rebecca Lenkiewicz (Ida) e a realização de Maria Schrader, havendo planos para que a produção se inicie já este Verão, segundo a revista Hollywood Reporter. Um dos produtores é Brad Pitt, através da sua produtora Plan B, a par da Annapurna Pictures. 

Também o livro Catch and Kill, do jornalista Ronan Farrow, que em Outubro de 2017, dias depois do New York Times, publicou a sua própria investigação sobre Weinstein na revista New Yorker, foi adaptado para outro formato, um podcast. Em 2018, Farrow dividiu o Prémio Pulitzer de jornalismo com Megan Twohey e Jodi Kantor pelos trabalhos sobre a conduta sexual do poderoso produtor de cinema norte-americano.

O movimento MeToo já deu origem a séries de reality TV como Citizen Rose, de Rose McGowan, uma das vítimas de Weinstein. Outros títulos de ficção, como as séries Unbelievable (Netflix) ou The Morning Show (Apple TV+) e os filmes The Tale, Bombshell  O Escândalo, bem como The Assistant, reflectem já uma nova era de consciência social sobre o assédio sexual.

Carey Mulligan foi uma das nomeadas para o Óscar de Melhor Actriz este ano pelo seu papel de justiceira anti-violência sexual em Uma Miúda com Potencial, de Emerald Fennell.