Cidadãos de Hong Kong desafiam autoridades no aniversário de Tiananmen

Manifestantes fintaram aparato policial com pequenas concentrações espalhadas pelo território e Igreja Católica promoveu serviços religiosos especiais. Pelo menos seis pessoas foram detidas.

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A polícia de Hong Kong exibe, na zona de Causeway Bay, as bandeiras que alertam para a carga policial imimente JEROME FAVRE/EPA

Pelo menos seis pessoas foram detidas e uma dúzia multada em Hong Kong durante as primeiras horas da vigília não autorizada em comemoração do 32.º aniversário do massacre de Tiananmen. Um pouco por todo o território, muitos cidadãos desafiaram as restrições impostas pelas autoridades, organizando pequenas concentrações para fintar o forte aparato policial.

As autoridades do país decidiram, por ordem de Pequim, suspender a vigília tradicional pelo segundo ano consecutivo, após alegarem que as concentrações representavam um risco para a segurança da população devido à pandemia do coronavírus. 

Apesar das restrições, centenas de cidadãos de Hong Kong saíram às ruas vestidos de preto ou com velas acesas nas mãos para lembrar as vítimas de Tiananmen, sempre em áreas distantes das zonas restritas pelas autoridades, como o grande parque Victoria, cujo acesso foi vedado por um cordão policial. 

O Governo de Hong Kong destacou uma força adicional de 7.000 agentes da polícia por todo o território para conter qualquer indício de concentração. Foram registados alguns incidentes na área de Causeway Bay, onde as forças de segurança exibiram as bandeiras que alertam os manifestantes para a iminência de uma carga policial.

A Igreja Católica de Hong Kong decidiu organizar serviços especiais nocturnos onde os participantes podem orar pelas vítimas do massacre de Tiananmen, como o que aconteceu na Igreja de Santo André em Hang Hau, onde cerca de 200 lugares estavam ocupados às 19h locais (menos sete horas em Portugal continental), uma hora antes da missa, o que levou os responsáveis ​​pela igreja a rejeitar a entrada de dezenas de fiéis.

Até às 22h, hora local, pelo menos seis pessoas, com idades entre 20 e 75 anos, tinham sido presas sob suspeita de incitamento à participação em assembleia não autorizada, agressão, conduta desordeira em local público e obstrução à acção da polícia, segundo um relatório policial divulgado pelo South China Morning Post. Outras doze pessoas foram multadas por desobedecerem à proibição de ajuntamentos públicos de mais de quatro pessoas, uma das medidas de contenção contra o covid-19.

A polícia de Hong Kong já tinha detido uma das principais líderes do movimento pró-democracia da região administrativa especial. Chow Hang Tung, vice-presidente da Hong Kong Alliance in Support of Patriotic Democratic Movements of China, que todos os anos organiza a vigília, foi detida às 7h35 (0h15 em Portugal continental). 

Chow tinha anunciado previamente que iria celebrar o 4 de Junho no parque Victoria a título pessoal. Também a aliança tinha prevista a realização de uma vigília em memória das vítimas do massacre, mas foi obrigada a cancelar a iniciativa.