Eduardo Cabrita nega ter dado instruções à PSP para ser branda com adeptos ingleses

Ministro da Administração Interna fugiu à maioria das perguntas e não assumiu qualquer responsabilidade nos recentes casos que envolveram o ministério.

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Eduardo Cabrita LUSA/TIAGO PETINGA

O ministro da Administração Interna negou nesta quarta-feira que tenham sido dadas instruções à PSP para que tivesse uma acção branda relativamente aos festejos dos adeptos ingleses na final da Liga dos Campeões no Porto.

Eduardo Cabrita classificou as notícias sobre uma não-intervenção da PSP como “insidiosas mentiras”. “Isso violaria toda a autonomia técnico-operacional, seria uma falta de respeito, de uma força a que é reconhecida a nível europeu a sua capacidade neste domínio”, afirmou em audição no Parlamento, na Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

“A PSP adoptou a resposta adequada e é uma infâmia ser porta-voz da mentira de que o ministro dá instruções sobre como esta força deve intervir”, acrescentou.

O ministro não assumiu qualquer responsabilidade neste caso como não assumiu na transferência de trabalhadores imigrantes para o parque Zmar, em Odemira, nem nos festejos da vitória do Sporting no campeonato nacional. O ministro fugiu à maioria das perguntas sobre esses temas, classificando-as como “política de casos”.

Sobre os festejos dos adeptos do Sporting, garantiu que tudo decorreu conforme foi determinado pelos organizadores, o clube de Alvalade e a Câmara Municipal de Lisboa, elogiando mais uma vez a actuação da PSP, classificando-a como “contida” e “corajosa” por ter estado “durante horas a ser agredida”.

Contornou também todas as questões sobre a reestruturação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e de outras forças de segurança. Ao contrário, deixou sempre palavras elogiosas para o Governo em geral e para o Ministério da Administração Interna (MAI) em particular pelo trabalho que tem sido feito nas variadas áreas.

Também elogiou o trabalho das forças de segurança, saudando a sua presença e a adequação dos efectivos em vários eventos, dando como exemplos “um evento que foi determinado sem público, como o final da Taça de Portugal, e num evento que foi decidido que era com público, como a final da Liga dos Campeões”.

“Naturalmente que me preocupa quando há grandes ajuntamentos. Não são bons, sejam no Bairro Alto, em Albufeira ou no Porto, não são bom exemplo de saúde pública. As forças de segurança lá estão para dar a resposta adequada, contribuindo para a solução”, afirmou.

Também questionado sobre a autorização para pagar as pré-aposentações da PSP, Eduardo Cabrita remeteu a questão para o Ministério das Finanças.

“Neste momento estão identificados os números adequados de passagens à reserva, pré-aposentação ou à disponibilidade, e essa matéria está no Ministério das Finanças, espero que seja concluída nos próximos dias”, afirmou o ministro.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP-PSP) realiza nesta quarta-feira uma concentração em frente do Ministério da Administração Interna para exigir ao Governo a passagem imediata à pré-aposentação dos polícias que atingiram o limite de idade na PSP.

O deputado do PSD Carlos Peixoto acusou o ministro de não dar sossego aos portugueses: “Não há mesmo volta a dar, o senhor ministro não dá sossego aos portugueses, ou tem um azar patológico, ou é um masoquista, ou tem um jeito enorme para estar na berlinda, geralmente por más razões. Se acha que aquilo que se passou no fim-de-semana no Porto nada teve que ver consigo porque houve outros colegas do Governo que lhe aliviaram a carga, está enganado.”

Na resposta, Eduardo Cabrita lamentou a intervenção do social-democrata. “É de facto desesperante o estado em que se encontra o PSD face aos melhores resultados de sempre em matéria de segurança interna na área da criminalidade, incêndios rurais, segurança rodoviária ou matéria sanitária. É lamentável a desvalorização que faz dos resultados em matéria de segurança interna que não foram assim noutros países”, afirmou.

Disse ainda que o PSD demonstra “uma falta de respeito” pelas forças de segurança “ao desvalorizar aquilo que são resultados objectivos”.