A inércia da desunião europeia

Na Europa, aquela famosa “bazuca” ainda não chegou, nem se sabe ao certo quando chegará. Em vez de sermos uma verdadeira União e mostrarmos aos ingleses que sem eles estamos mais unidos, estamos a transmitir uma imagem de desunião tanto neste plano como por exemplo nas vacinas.

Mais uma vez os EUA anteciparam-se à UE, sendo que desde o início da covid já não é a primeira vez, pelo menos no que se refere a ajudas à economia e aos cidadãos. Esta semana o governo de Biden começou a disponibilizar cerca de 350 mil milhões de dólares de ajudas aos Estados e cidades dando mais um passo para a recuperação económica. A primeira ajuda à economia ainda foi efetuada por Trump.

Esta já é a terceira importante ajuda que o governo federal providencia para a sua economia. Aqui na Europa, aquela famosa “bazuca” ainda não chegou, nem se sabe ao certo quando chegará. Na UE ainda andamos em intenções, aprovações em parlamentos nacionais e demais burocracias deste género ou ainda pior. Entendo que tem que existir regras, mas tudo é muito demorado na Europa, para tudo são precisos no mínimo vários meses ou até anos, mesmo estando os países, os cidadãos e as economias em crise há mais de um ano.

Assim, não é de admirar que os EUA recuperem a sua economia de uma forma mais rápida que a UE, pois tomam as medidas certas na hora certa e não meses depois. Chegarão mais rapidamente aos níveis anteriores à pandemia que a UE porque somos demasiadamente lentos, burocratas, complicados e depois ainda aparecem os países do costume, para verem se conseguem obter vantagens ao tentar complicar as negociações, que por si já são complicadas.

Com rapidez e pela terceira vez, os setores e os trabalhadores mais duramente afetados pela pandemia foram generosamente apoiados pelo Tesouro dos EUA e não com uns meros pensos rápidos destinados a estancar apenas momentaneamente o sangue.

Pessoalmente prefiro viver na UE e aqui no nosso Portugal, mas reconheço os méritos da economia dos EUA, da sua flexibilidade laboral e do seu funcionamento institucional reconhecido pelos próprios cidadãos. Por exemplo, quando os governos estaduais por causa da crise provocada pela covid, as suas receitas diminuíram, para fazerem face a possíveis déficits e para não se endividarem, demitiram funcionários estaduais e locais (impensável em Portugal, pois a opção seria pedir emprestado, ou então ter de aturar aqueles que a sua profissão é protestar contra qualquer coisa com exceções devidamente justificadas, portanto pede-se emprestado até ser possível).

Agora com o recebimento gradual destas generosas transferências e com a população fortemente vacinada, com a economia a recuperar, os funcionários estaduais já estão a ser reintegrados e tudo começa a voltar ao normal. Com estes planos de resgate, os EUA garantirão fundos suficientes para recuperar a economia, apoiar os funcionários públicos demitidos, apoiar as pequenas empresas e famílias que foram afetadas pela pandemia.

Para que não exista qualquer dúvida de que estas verbas serão mesmo utilizadas na recuperação económica, os estados estão proibidos de diminuir impostos, sob pena de terem de devolver os valores recebidos.

Voltando à UE, pouco ou nada mais se pode dizer, a não ser que o Plano de Resiliência ainda não começou e já se fala que não é suficiente para recuperar a economia da UE. Parece que em vez de sermos uma verdadeira União e mostrarmos aos ingleses que sem eles estamos mais unidos, estamos a transmitir uma imagem de desunião tanto neste plano como por exemplo nas vacinas.

Nós portugueses nos séculos seguintes à fundação do Condado Portucalense não éramos assim. Ficamos lentos e conformados ao longo do tempo pela falta de verdadeiros líderes, que se perderam ao longo dos séculos. Já os tivemos, seguiram a lei da vida, mas tão bem como Camões referiu esses líderes libertaram-se da lei da morte.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico