Noreena Hertz: “As redes sociais são a indústria de tabaco do século XXI”

Sentirmo-nos sós prejudica o nosso corpo, a nossa vida em sociedade e a democracia — e ajuda a explicar o crescimento da extrema-direita. É preciso regular as redes sociais, reconstruir a “infra-estrutura da comunidade” e abandonar a vida contactless, defende a economista inglesa Noreena Hertz no livro O Século da Solidão.

Foto
Tomasz Skoczen/GEtty Images

No Japão, os crimes cometidos por maiores de 65 anos quadruplicaram em duas décadas. Muitos são pequenos delitos, como assaltos, feitos com um objectivo simples: ir para a prisão, onde estes idosos encontram a comunidade que não conseguem ter em casa. Em países asiáticos, mas também nos Estados Unidos, cresce o fenómeno do mukbang: comer (muito) em frente a uma câmara e transmitir o acto pela Internet (os espectadores divertem-se e ganham “companhia” para a sua refeição solitária). Em França, Eric encontrou camaradagem e respostas na ala jovem da União Nacional — um partido xenófobo, mas que o padeiro diz proteger os “esquecidos” da sociedade, como ele.