“Centro do Atlântico” proposto por Portugal formalizado com 16 países

Participação no centro é aberta a todos os países do Atlântico, tendo como critério fundamental o empenho na paz e na estabilidade da zona atlântica.

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Ministro da Defesa no lançamento do Centro do Atlântico LUSA/ANTÓNIO ARAÚJO

O Centro do Atlântico, iniciativa de Portugal que integra 16 países, formalizado esta sexta-feira, representa uma “nova frente de apoio à paz e à estabilidade no oceano Atlântico”, sublinhou o ministro da Defesa Nacional. “Aquilo que nós estamos a celebrar é um momento inaugural de uma instituição pioneira, que, pela primeira vez na história, reúne os países atlânticos em torno daquilo que os une que é o oceano Atlântico. Parece estranho que isso nunca tenha acontecido no passado”, declarou aos jornalistas, João Gomes Cravinho.

O ministro falava na Praia da Vitória, na ilha Terceira, à margem de um exercício de simulação de um resgate no mar, numa situação de pirataria, que envolveu a Marinha e a Força Aérea portuguesas. O exercício encerrou um curso intensivo, iniciado na segunda-feira, na base das Lajes, na ilha Terceira, sobre segurança marítima no golfo da Guiné, que contou com a participação de 25 auditores de 13 nacionalidades.

Esta foi a primeira iniciativa organizada pelo Centro do Atlântico, que é formalizado este sexta-feira, através de uma declaração política conjunta assinada por 16 países. João Gomes Cravinho disse que a proposta do Ministério da Defesa português, lançada ainda pelo anterior titular da pasta, Azeredo Lopes, foi “recebida de forma muito espontânea, muito imediata” e “com grande satisfação” pelos restantes países que integram o centro.

“Aquilo que estamos a propor aqui é, na realidade, uma nova perspectiva, uma nova frente de apoio à paz e à estabilidade no oceano Atlântico, que é tão importante para nós e para tantos outros países”, frisou. Segundo o ministro Gomes Cravinho, o centro vai permitir um diálogo político “que nunca aconteceu”, envolvendo todas as partes do Atlântico, mas também a partilha de conhecimento entre universidades, centros de investigação e forças armadas dos diferentes países e a capacitação e formação.

“Tivemos aqui esta semana o primeiro curso de muitos, esperemos, juntando auditores e muitos países do Atlântico e professores de um elevado número de países para criar um conhecimento partilhado”, reforçou. A participação no centro é “aberta a todos os países do Atlântico”, tendo como critério fundamental “o empenho na paz e na estabilidade do Atlântico”.

Para além de Portugal, assinaram a declaração conjunta a Alemanha, Angola, Brasil, Cabo Verde, Espanha, Estados Unidos da América, França, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Marrocos, Reino Unido, São Tomé e Príncipe, Senegal e Uruguai.

A sede do centro será instalada na base das Lajes, na ilha Terceira, em infra-estruturas desocupadas pela Força Aérea norte-americana. “Nós queremos que a base das Lajes seja o epicentro do Atlantic Centre. Os cursos, tal como aquele que hoje [sexta-feira] acaba, terão lugar aqui na base das Lajes, que tem excelentes instalações e haverá um investimento do Ministério da Defesa em novas infra-estruturas”, avançou Gomes Cravinho.

A instituição, que chegou a chamar-se Centro de Defesa do Atlântico, foi anunciada como uma forma de mitigação da redução da presença militar norte-americana na base das Lajes, iniciada em 2015. Questionado sobre os postos de emprego que poderá vir a criar na ilha Terceira, o ministro disse que ainda não é possível quantificar.

“A relevância do Atlantic Centre vai muito para além da mera ideia de criar novos empregos para substituir empregos que entretanto desapareceram. Alguns empregos virão, empregos qualificados, o que levará à fixação de pessoas na ilha Terceira, mas neste momento ainda é muito cedo para poder quantificar. Daqui a alguns anos estaremos em condições de responder a essa pergunta, mas alguns empregos, seguramente que sim”, afirmou.

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