Lewis Hamilton mantém tradição e vence GP de Espanha

Piloto inglês bateu Max Verstappen na guerra dos pneus, igualando recordes de Ayrton Senna e Michael Schumacher, para aumentar a vantagem para 14 pontos no Mundial de pilotos.

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Lewis Hamilton venceu este domingo o Grande Prémio de Espanha em Fórmula 1, quarta prova de 2021 e 501.º GP da Mercedes, ampliando para 98 o total de corridas ganhas e igualando o recorde de cinco vitórias consecutivas de Ayrton Senna (Mónaco), num mesmo circuito, e ainda o máximo de seis triunfos de Michael Schumacher em Espanha.

O piloto inglês conseguiu a terceira vitória do ano, primeira saindo da pole position, e ampliou a vantagem no Mundial de pilotos, somando 94 pontos, contra 80 de Max Verstappen (Red Bull), que garantiu o segundo posto em Barcelona e ainda a volta mais rápida. Valtteri Bottas conseguiu o terceiro pódio e é também o terceiro no Mundial, com 47 pontos, mas seis que Lando Norris.

Mas antes, cinco anos e cem Grandes Prémios depois da estreia ao volante de um Red Bull, com a primeira vitória da carreira, precisamente em Barcelona - onde destronou Sebastian Vettel como o piloto mais novo (18 anos e 228 dias) a ganhar uma corrida de Fórmula 1 - Max Verstappen superou Lewis Hamilton no arranque, travando a série iniciada em 2018 pelo britânico, que desde a 33.ª volta desse GP liderou todas as voltas no circuito da Catalunha até à primeira curva da corrida deste ano.

A pole de Hamilton não impediu Verstappen de tentar uma manobra arrojada, com o campeão do mundo a optar por dar espaço ao holandês para evitar um acidente como o que em 2016 o impediu de lutar pela vitória, após choque com o Mercedes do companheiro de equipa Nico Rosberg, precisamente na primeira volta.

A partida de Verstappen acabou por trair os dois Mercedes, que, apesar de terem saído do melhor lado da pista, caíram para segundo e quarto, com o Ferrari de Charles Leclerc a passar Valtteri Bottas na terceira curva, aproveitando a correcção de trajectória do finlandês, provocada pelo abrandamento de Hamilton.

O inglês recuperaria o comando na guerra dos pneus, com Verstappen a gastar 4,2 segundos nas boxes e Hamilton a prolongar a vida dos médios, numa estratégia arriscada e prejudicada por Nikita Mazepin, ao não observar as bandeiras azuis. Com isso, o Red Bull recuperou o tempo perdido na ida às boxes e, quando a Mercedes chamou Hamilton, já Verstappen estava em posição de recuperar a liderança... com uma vantagem ligeiramente superior à inicial, embora com mais quatro voltas nos pneus em relação ao piloto britânico.

Com Bottas firme no terceiro e Leclerc à vontade no quarto lugar, o duelo pelo comando dominava a corrida, prevalecendo as características de um circuito onde é mais fácil defender a posição do que conseguir uma ultrapassagem. Hamilton ia revelando paciência, pressionando o Red Bull, à espera de um erro, com Verstappen a resistir à perseguição, com o Mercedes a mostrar-se nas zonas de DRS.

Contrariando todas as previsões de duas paragens - e quando estava colado à traseira de Verstappen, a pouco mais de 20 voltas do final - Hamilton antecipou-se e parou mais uma vez para “calçar” uns pneus usados (com seis voltas), esperando que Verstappen também tivesse que trocar de pneus, deixando, entretanto, de andar no ar sujo do holandês.

Hamilton precisava ainda de ultrapassar Bottas, que recebeu a comunicação para não atrapalhar o inglês, que para além de estar com um ritmo superior ia no encalço de Verstappen. O finlandês demorou um pouco a processar a informação, atrasando Hamilton cerca de um segundo, para abrir com relutância antes de nova ida às boxes, que lhe custou, momentaneamente, o terceiro lugar, logo recuperado com a ultrapassagem fácil a Leclerc.

Apesar de tudo, Hamilton ganhou mesmo na batalha táctica, assumindo o primeiro lugar a seis voltas do fim, face a um Verstappen completamente nas lonas. Resignado, o holandês aproveitou a vantagem para o terceiro lugar para colocar os macios novos e ir em busca da volta mais rápida.