Bill e Melinda Gates anunciaram divórcio

Depois de 27 anos de casamento, Bill e Melinda Gates explicam: “Não acreditamos que possamos continuar a crescer como um casal”. Apesar da separação, continuarão a trabalhar juntos na fundação que criaram em 2000.

Os filantropos Bill e Melinda Gates anunciaram esta segunda-feira que se vão divorciar, ao fim de 27 anos de casamento. Embora recordem um passado preenchido com grandes feitos, já não vêem um futuro onde possam crescer como casal. A Bill & Melinda Gates Foundation vai continuar a contar com a dedicação de ambos.

No Twitter, o fundador da Microsoft partilhou um comunicado conjunto do casal onde se lê que, “depois de muita reflexão e muito trabalho na relação”, decidiram separar-se. “Ao longo dos últimos 27 anos criámos três crianças incríveis e construímos uma fundação que trabalha por todo o mundo para permitir que as pessoas tenham vidas saudáveis e produtivas”, recordam, acrescentando que ainda partilham essa crença e que continuarão a trabalhar juntos na Bill & Melinda Gates Foundation.

No entanto, já não acreditam que possam continuar a crescer como casal na próxima fase das suas vidas, aponta o comunicado também partilhado por Melinda Gates.

O casal conheceu-se em 1987, quando Melinda se juntou à Microsoft como gerente de produto. No mesmo ano começaram a namorar. “Nós gostávamos muito um do outro e havia apenas duas possibilidades: ou íamos separar-nos ou íamos casar-nos”, disse Bill na minissérie documental da Netflix de 2019 Inside Bill’s Brain: Decoding Bill Gates. Depois de Bill fazer “uma lista de prós e contras”, recordava Melinda na série, casaram-se em 1994 em Lanai, uma ilha no Havai. Têm três filhos.

Há 21 anos que a Bill & Melinda Gates Foundation se dedica a combater a desigualdade no mundo. Face à pandemia, a fundação destinou um total de 1,75 mil milhões de dólares (cerca de 1,45 mil milhões de euros) à aceleração do desenvolvimento e à distribuição equitativa de testes, tratamentos e vacinas contra a covid-19. 

Segundo a página da fundação, em 2019 foi investido mais de 5 mil milhões de dólares em causas, dos quais 1,7 mil milhões ajudaram a promover o desenvolvimento em comunidades mais pobres e quase 1,5 mil milhões contribuíram para o melhoramento da saúde, reduzindo o impacto de doenças infecciosas — a principal causa de morte em mulheres e crianças de países em desenvolvimento. A Aliança Global das Vacinas, lançada pela fundação em colaboração com organizações como a Organização Mundial de Saúde e o Banco Mundial, ajudou a imunizar mais de 822 milhões de crianças contra doenças como a cólera e a difteria.

Bill Gates, a quarta pessoa mais rica do mundo segundo a revista Forbes, lançou recentemente o livro Como Evitar um Desastre Climático, em que preconiza — com optimismo — que para eliminar as emissões de gases com efeito de estufa é necessária uma “cooperação muito maior” entre empresas, cientistas e governos do que a usada na pandemia. Os “milagres” energéticos a que se refere são precisos porque as energias renováveis e mudanças no estilo de vida do Ocidente serão insuficientes para atingir as zero emissões de carbono até 2050.

Também Melinda publicou um livro em 2020 — o seu primeiro. Em Ganhar Asas e Voar, Melinda Gates debruça-se sobre a desigualdade de género no trabalho não-remunerado, ao relatar os desafios que enfrentou e as aprendizagens que somou ao longo de quase 20 anos à frente da fundação. Na reflexão, Melinda reitera que, para elevar a sociedade, não se pode rebaixar as mulheres.