Pressionado, Presidente colombiano acaba com plano de reforma fiscal

O programa que previa aumento de impostos e maiores deduções para a classe média era alvo de muita contestação popular. Na véspera, morreram várias pessoas em manifestações.

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Manifestação em Cali contra a reforma tributária no Dia do Trabalhador Ernesto Guzman Jr / EPA

Depois de uma intensa contestação nas ruas, o Presidente colombiano, Iván Duque, decidiu dar marcha atrás na proposta de reforma fiscal. Na véspera, as manifestações em várias cidades colombianas tinham deixado vários mortos.

Numa declaração televisiva, Duque disse que pediu ao Congresso para que retirasse a proposta de reforma tributária que estava em discussão, embora tenha continuado a defender os seus méritos. “A reforma não é um capricho, é uma necessidade”, afirmou o chefe de Estado.

O objectivo da reforma elaborada pelo Governo era fazer face ao impacto económico causado pela pandemia na Colômbia, mas a subida de impostos e contribuições do rendimento em cima da mesa colocavam a maioria da factura sobre os ombros da classe média. O diploma foi alvo de intensa contestação e nos últimos dias as ruas da Colômbia serviram de palco para batalhas campais entre manifestantes e a polícia.

No sábado, foram detidas centenas de pessoas nas principais cidades e foram registados vários mortos. Duque convocou as Forças Armadas para apoiarem a polícia na contenção dos próximos protestos, alimentando os receios de que a repressão pudesse subir de intensidade. A decisão foi recebida com muitas críticas por parte da oposição e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Resta saber se o recuo de Duque irá aplacar a fúria de milhões de colombianos que não vêem com bons olhos um aumento da carga fiscal numa época de recessão.

O Presidente não abandonou o plano de mexer no sistema fiscal e disse pretender apresentar uma nova reforma ao Congresso que envolva contribuições de vários sectores sociais. “Retirá-la ou não, não era a discussão, a verdadeira discussão é poder garantir a continuidade dos programas sociais”, declarou Duque.

No último ano, a pobreza disparou na Colômbia por causa do impacto das medidas de encerramento de estabelecimentos e de suspensão da actividade económica para conter a pandemia.