Medina vai continuar a pedir conselhos a Manuel Salgado

Autarca sublinha que o ex-vereador, arguido num inquérito judicial, não tem “nenhuma posição formal, executiva ou decisória” no município.

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Manuel Salgado, ex-vereador do Urbanismo de Lisboa Miguel Manso

O presidente da Câmara de Lisboa vai continuar a consultar o ex-vereador do Urbanismo e arquitecto Manuel Salgado “assim ache relevante para a cidade”. Fernando Medina mantém a decisão que tomou quando Salgado se demitiu da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), em Fevereiro, apesar de na semana passada a Polícia Judiciária (PJ) ter feito buscas na câmara visando os processos urbanísticos aprovados durante o mandato do ex-vereador.

Na reunião pública desta quarta-feira, onde foi questionado por Assunção Cristas, o autarca disse querer aproveitar “a extraordinária experiência, capacidade e qualidade que [Manuel Salgado] demonstrou ao longo dos anos”.

O ex-vereador do Urbanismo, que desde meados de 2019 estava em exclusividade na liderança da SRU, demitiu-se desse cargo quando foi constituído arguido num inquérito relacionado com a construção do Hospital CUF Tejo, em Alcântara. O Ministério Público (MP) suspeita dos crimes de prevaricação e de violação de norma urbanística.

Pouco depois, em entrevista ao PÚBLICO, Salgado confirmou que Medina o tinha convidado para ser consultor não remunerado do município.

Entretanto, na semana passada, o MP e a PJ lançaram a chamada Operação Olissipus, em que se investigam alguns dos processos urbanísticos mais polémicas dos mandatos de António Costa e Fernando Medina: a Torre de Picoas, a Segunda Circular, a ampliação do Hospital da Luz, a reabilitação de São Pedro de Alcântara ou os terrenos da antiga Feira Popular, entre outros.

Esta quarta, a vereadora do CDS quis saber se “perante estas evoluções” o presidente da câmara manteria Salgado como consultor. A resposta de Medina foi taxativa: “Manterei a minha intenção de o consultar, assim ache relevante para a cidade e para auxiliar a minha decisão sobre vários assuntos.”

Numa curta declaração, o autarca disse que “não se trata de nenhuma posição formal, executiva ou decisória, trata-se de reconhecer alguém que deu muito à cidade de Lisboa, sobre o qual todos tiveram oportunidade de expressar o seu apreço, que merece ser tratado com dignidade e respeito”.

Na semana passada, à porta dos Paços do Concelho, Medina afirmou-se “tranquilo” com as investigações, acrescentando que “a instituição que está mais interessada num cabal esclarecimento é a câmara”.