Um momento de publicação independente: A Fábrica de Erisícton

Fanzines, edições de autor, livros de artista — nesta rubrica queremos falar de publicação independente. André Ferreira apresenta A Fábrica de Erisícton.

Foto

Apresenta-nos a tua publicação.
O fanzine A Fábrica de Erisícton encontra-se na colecção Mesinha de Cabeceira (#29), editado por Marcos Farrajota e design por Joana Pires.

Quem são os autores?
André Ferreira é o autor de um outro fanzine editado pela Bedeteca de Beja, Oiro Formigas. Participou ainda em dois números da venham+5, também da Bedeteca, e no fanzine BlandyBlup, da editora La Olla Express. Para além de BD, também faz música sob o pseudónimo de Goran Titol.

Do que quiseste falar?
O fanzine surgiu como reacção ao processo em curso de destruição da paisagem da minha região pela agricultura intensiva e super-intensiva. De um dia para outro, começaram a ver-se campos imensos com árvores centenárias tombadas no chão que foram substituídas por pequenas árvores, plantadas a uma velocidade incrível e com uma densidade absurda. Depois começaram os tractores a aspergir as mesmas com fitofarmacêuticos, também em quantidades astronómicas. No ar sente-se, mesmo dentro das povoações, o cheiro a veneno. O uso de maquinaria pesada tem arrasado também o património arqueológico. Liguei estes acontecimentos ao mito de Erisícton, na versão de Ovídio.

Foto

Questões técnicas: quais os materiais usados, quantas páginas tem, qual a tiragem e que cores foram utilizadas?
O fanzine tem 24 páginas, desenhadas a caneta e pintadas a aguarela. É um livro a cores. A tiragem é de 100 exemplares.

Onde está à venda e qual o preço?
O livro custa 7 euros e está à venda na Chili Com Carne e ainda na Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos e noutras livrarias a anunciar em breve.

Porquê fazer e lançar edições hoje em dia?
Editar é uma forma de colocar questões.

Recomenda-nos uma edição de autor recente lançada em Portugal.
Um livro que este ano foi editado e me agradou mesmo muito foi o Palácio 2, do Francisco Sousa Lobo.