Alemanha: ambos os candidatos a chanceler querem mais integração europeia

Armin Laschet e Annalena Baerbok defendem importância de voz unida da União Europeia e defendem mais solidariedade. Ambos passaram por instituições europeias no seu percurso.

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Laschet e Baerbock numa conferência em 2020: a sua concordância em termos de questões europeias "foi notável", disse o moderador do painel RONALD WITTEK/EPA

Os dois partidos com mais hipótese de disputar a chancelaria têm dois candidatos muito diferentes, mas com algo em comum: são especialmente europeístas. Armin Laschet, o candidato conservador, foi deputado no Parlamento Europeu e tem uma grande ligação a França, e Annalena Baerbock, a candidata dos Verdes, foi assessora de uma eurodeputada ecologista alemã, e pertence ao partido que mais deu importância a solidariedade europeia.

Heinrich Enderlein, da Hertie School de Berlim, comentou no Twitter que quando moderou, em 2020, um painel com Laschet e Baerbock sobre integração europeia na conferência de segurança de Munique, “a sua concordância foi notável”. Ambos defenderam que não é possível a Alemanha enfrentar desafios – da defesa do Estado de direito, disse Baerbock, a um mundo com ascensão dos EUA e China, disse Lashet – sozinha. Ambos concordaram ainda que a Alemanha deverá aumentar a sua contribuição para o orçamento europeu.

Ralph Rotte, professor de ciência política da Universidade de Aachen, também nota, por email, ao PÚBLICO que a cooperação europeia é uma área em que os Verdes e a CDU com o seu candidato actual “podem ter muito em comum”.

Onde os Verdes se distinguem em especial é na atitude da Alemanha face a regimes que não respeitam os direitos humanos, como a China e Rússia. “São o único partido que pode fazer mudar um pouco as coisas no que diz respeito à Rússia e à China. Têm um equilíbrio melhor entre a economia e os direitos humanos”, disse Jana Puglierin, directora do gabinete do European Council on Foreign Relations em Berlim, ao New York Times.

Os dois países não foram poupados na intervenção de Baerbock como candidata, que defende que a Alemanha não deve completar o NordStream 2 e deve fazer a sua parte para “uma política externa comum e forte” na União Europeia.

Mas esta diferença, e ainda a oposição do partido em relação a tratados, seria muito mais difícil de concretizar mesmo que fossem os Verdes a chefiar o Governo, opina Rotte. “Por isso, espero progressos na integração europeia em questões sociais e económicas com um governo alemão dominado pelos Verdes, mas muito menos que haja algum progresso em políticas de segurança ou defesa”, diz.