“Cursos curtos”: mais de metade segue para licenciatura

Cursos técnicos superiores profissionais foram pensados para ser uma “via verde” para o mercado de trabalho, mas a maior parte dos alunos continua os estudos, por norma na mesma instituição de ensino.

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Prosseguir estudos é a opção para a maioria dos estudantes Nelson Garrido

Mais de metade dos estudantes que completa um Curso Técnico Superior Profissional (Ctesp) acaba por prosseguir estudos, ingressando numa licenciatura. Por norma, fazem-nos na mesma instituição de ensino superior, mostram também as estatísticas oficiais.

No último ano lectivo (2019/20), 56% dos diplomados dos Ctesp em 2018/19 estavam inscritos numa licenciatura, de acordo com um relatório publicado no início do ano pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Os restantes alunos são apresentados como “não encontrados no ensino superior”, o que, em regra, significa que terão deixado os estudos e seguido para o mercado de trabalho.

Quando estes cursos foram criados em 2014 tinham uma intenção profissionalizante, procurando que mais pessoas com qualificações superiores entrassem no mercado de trabalho. Os Ctesp conferem um diploma de ensino superior e a sua duração é de apenas dois anos, menos um do que as licenciaturas, além de terem uma ligação forte às empresas, pressupondo a realização de um estágio de um semestre para todos os alunos.

Apesar desta arquitectura, as instituições têm facilitado o prosseguimento de estudos e muitos dos Ctesp são cursos “de fileira”, alinhados com uma ou duas licenciaturas. Assim, nos casos em que os estudantes querem continuar no ensino superior, há disciplinas em comum cujos créditos são reconhecidos. Essa situação permite aos alunos serem muitas vezes colocados no segundo ano da licenciatura, ainda que possam ter que fazer alguma disciplina do primeiro ano ainda por completar.

Por isso, desde a sua introdução, os Ctesp foram uma via de prosseguimento de estudos, ainda que essa tendência tenha decrescido ligeiramente nos últimos três anos. Em 2017/18, 61% dos diplomados no ano anterior estavam inscritos numa licenciatura. No ano seguinte, o número baixou três pontos percentuais. Agora, volta a baixar mais dois pontos.

Os números publicados pela DGEEC mostram que quase todos os alunos continuam a estudar no mesmo local. Menos de 5% dos diplomados dos Ctesp estava, no ano seguinte à conclusão do curso, inscrito numa instituição de ensino superior distinta. Há sete politécnicos onde a percentagem de estudantes que prosseguem a formação é mais elevada, com destaque para os institutos de Castelo Branco e Santarém, onde 81% e 80%, respectivamente, continuam a estudar depois de concluir um “curso curto”.

Também nos politécnicos de Bragança (78% dos diplomados prosseguem estudos), Viseu (73%), Beja (69%), Guarda (68%) e Coimbra (67%), mais de dois terços dos estudantes que fazem um Ctesp passam em seguida para uma licenciatura.