Em que nos pode instruir esta estranha instrução?

Há algo nesta tempestade que fragiliza o Estado de direito, a justiça, a política e a democracia. Como sempre tenho defendido na senda e ao lado de muitos, é fundamental que se crie e reconheça o crime de enriquecimento ilícito.

 1. Sexta-feira, muito em cima do acontecimento, um canal de televisão pediu-me um comentário sobre a decisão instrutória da Operação Marquês. Já depois de ter aprofundado um pouco mais o conhecimento dos seus termos e da sua fundamentação; já depois de ter lido, ouvido e visto as observações e os comentários que proliferaram na esfera pública, reforcei algumas das convicções que, ali, ainda a fresco, externei. Partilho, agora em letra de forma, essas reflexões, que basicamente desaguam em perplexidades. As perplexidades de quem de há mais de 20 anos propugnou uma reforma da justiça portuguesa e que, em devido tempo, denunciou as perversidades da governação socialista de José Sócrates e da teia de interesses que ela alimentou.