Vitória amarga

Os “dragões” precisavam de recuperar de uma desvantagem de dois golos, mas apenas conseguiram marcar aos londrinos no período de descontos.

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LUSA/Jose Manuel Vidal

Foi uma presença meritória, que terminou com um golo candidato a melhor do ano, mas a vitória do FC Porto na despedida portista da Liga dos Campeões tem um sabor amargo. No Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha, Sérgio Conceição não correu grandes riscos durante dois terços da partida e, num jogo quase sempre “cinzento”, o Chelsea aproveitou para gerir a vantagem de dois golos alcançada na primeira mão. Apesar da eliminação, os “dragões” saem da Champions com um triunfo merecido, mérito do “suplente” Taremi: no minuto 94, o iraniano fez com um golo brilhante, mas insuficiente para o FC Porto.

Uma semana depois do primeiro duelo, os portistas sabiam que no reencontro com os ingleses na Andaluzia teriam uma enorme montanha para escalar. Após um primeiro jogo em que a qualidade dos londrinos não esbanjou dois erros defensivos dos “dragões”, o FC Porto sabia que a única possibilidade de regressar a uma meia-final da Liga dos Campeões passava por conseguir o que ainda ninguém tinha conseguido esta época na prova: marcar dois golos a Edouard Mendy.

O Chelsea chegou aos “quartos” com o meritório registo de apenas dois golos sofridos em oito partidas, mas mesmo admitindo que não iria negligenciar os “jogos muito exigentes” que vai ter pela frente no campeonato nacional, Conceição foi para a luta europeia sem abdicar de Sérgio Oliveira, que estava em dúvida devido a um problema muscular. Mas o técnico tinha uma surpresa guardada: Taremi ficou no banco e o FC Porto apresentou-se em 4x3x3.

Após avisar na véspera que “nestes jogos ir com muita sede ao pote pode ser prejudicial”, Conceição abdicou das três referências de área que tem no plantel (Taremi, Martínez e Evanilson), e apostou numa “equipa compacta e coesa”.

Do outro lado, Tuchel foi mais previsível. Mantendo o esquema de três defesas, o técnico alemão trocou Kovacic, baixa de última hora, pelo fiável Kanté, mas não deixou de premiar a boa exibição de Pulisic no fim-de-semana: após marcar dois golos, o internacional norte-americano relegou Werner para o banco.

Do cocktail táctico preparado pelos treinadores, resultou um jogo com condimentos a menos, mas bem ao gosto das necessidades dos ingleses.

Se os portistas mostravam vontade a mais e soluções ofensivas a menos — Marega passou sempre ao lado do jogo —, os jogadores da equipa de Stamford Bridge jogaram com o relógio. Sem necessidade de correrem qualquer tipo de riscos, os londrinos deixaram a bola correr nos pés portistas e procuram manter a partida com rotações baixas.

Assim, sem surpresa, os primeiros 45 minutos arrastaram-se de forma enfadonha, com apenas duas oportunidades para o FC Porto, ambas desperdiçadas por Corona: na primeira, após um mau passe de Mendy, Jorginho desviou o remate; na segunda, o mexicano conseguiu fugir a Chilwell, mas se na primeira mão o internacional inglês aproveitou um erro do “17” portista para marcar, desta vez o deslize terminou com um remate disparatado.

Com o tapete a fugir-lhe por debaixo dos pés, Conceição manteve tudo na mesma e, nos primeiros 15 minutos da segunda parte, foi mais do mesmo: O FC Porto tinha o (aparente) controlo, mas era o Chelsea, sempre que acelerava, que criava as melhores oportunidades de perigo.

Sem outra opção, Conceição começou por recuperar a fórmula habitual aos 63’ (Taremi entrou para o lugar de Grujic) e, a apenas 15 minutos do fim, fez uma substituição tripla, mas sem correr grandes riscos: Manafá por Nanú; Corona por Díaz; Marega por Evanilson.

O problema, no entanto, manteve-se. A precisarem de dois golos para conseguirem adiar a resolução da eliminatória para um prolongamento, os portistas mostravam-se incapazes de criar calafrios a Mendy, e, já nos descontos, até foi Marchesín que brilhou ao evitar que Pulisic marcasse.

No entanto, quando parecia que tudo ia acabar a zero, o grande golo de Taremi garantiu algum brilho à prestação dos portistas, que mereceram a vitória pelo que fizeram nos dois jogos.