Exposição

À margem do Nilo, Rodrigo encontrou inspiração para fugir do confinamento

Rodrigo Veloso viajou até ao Egipto, no início de 2020, para conhecer uma cultura "muito diferente da portuguesa". Transformou esta experiência em arte, aliando uma linguagem figurativa com um esbatimento da realidade, que lhe permitiu escapar da monotonia do confinamento. 

Rodrigo Veloso
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Rodrigo Veloso

As figuras claras e definidas de Rodrigo Veloso contrastam com uma realidade esbatida, onde pouco é perceptível e as texturas e cores falam por si, na sua nova exposição À Margem. Inspirada por uma viagem que fez ao Egipto no arranque de 2020, quando ainda não se falava de pandemia e o vírus era algo distante com epicentro em Wuhan, o artista de 25 anos começou a pintar estas paisagens como forma de evasão de um confinamento “doloroso”.

O rio Nilo toma o palco central desta obra, em exposição a partir de 20 de Maio no espaço Corrente, em Arroios. As primeiras pinturas que Rodrigo realizou para o projecto eram “figurativas”, mas as paisagens que encontrou num dos fluxos de água mais famosos do mundo fizeram com que se desprendesse de uma “representação demasiado directa”. “O Nilo, as areais do deserto… é tudo muito mais esbatido. O abstracto começou a surgir de forma muito natural neste trabalho”, explica ao P3.

Para representar estas paisagens, Rodrigo fez-se valer de goma-laca, uma resina que, em contacto com a água, se transforma numa tinta com efeito de aguarela. A “explosão de cores” presente em obras anteriores do artista deu lugar a um foco no contraste entre as cores verdes da vegetação à margem do Nilo e o castanho e amarelo do deserto. Com a base pronta, começou a desenhar figuras por cima, como camelos, palmeiras e pessoas que encontrava durante a viagem e que o inspiravam. Mas, à medida que o projecto avançava, foi “gradualmente abandonando a necessidade de ter algo mais figurativo”.

Sempre se sentiu atraído por culturas diferentes, especialmente aquelas que já não existem, mas ainda chegam até nós. Na sua última exposição, uma viagem à América do Sul, onde pôde conhecer a cultura mapuche e a “cidade perdida” de Machu Picchu, serviu de tela para as suas pinturas. Já no Egipto, cativou-o uma cultura que nada tem a ver com a portuguesa. Os templos, as pessoas, o contraste entre a confusão do Cairo e a bonança da viagem de barco pelo Nilo entranharam-se dentro de si, criando memórias que Rodrigo promete não esquecer. 

Não tem uma “grande mensagem” que queira transmitir com esta exposição, mas também afirma não ser “egoísta” ou centrada em si. “É uma exposição que mostra como, num período de confinamento, conseguimo-nos transportar para outras vivências e momentos mais felizes. O objectivo é trazer isso para quem vê e permitir que essas pessoas se transportem também.”

Texto editado por Ana Maria Henriques

Rodrigo Veloso
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