Quase 200 tartarugas bebé encontradas numa mala nas Galápagos, 15 já morreram

Os funcionários do aeroporto da ilha de Baltra detectaram uma mala com 185 tartarugas embrulhadas em plástico, a imitar lembranças, no final da semana passada.

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Aeropuerto Ecológico de Galápagos

Com o auxílio de máquinas raio-x, os funcionários do aeroporto na ilha de Baltra detectaram “irregularidades em malas que foram declaradas como portadoras de lembranças”. Quando as abriram, encontraram 185 tartarugas-gigantes de Galápagos com menos de três meses de vida, envolvidas em plástico. Dez delas não sobreviveram, relatam, em comunicado. Outras cinco morreram mais tarde, “possivelmente devido ao stress que sofreram após a separação do seu habitat”, informa o Ministério do Ambiente do Equador

A descoberta foi feita em conjunto com membros do Parque Nacional Galápagos, um dos principais destinos para observar vida selvagem, no Equador. “Para proteger a vida das tartarugas, preparou-se um local próprio dentro das instalações do aeroporto para que os animais se pudessem mover de forma segura”, lê-se, no comunicado. A mala iria ser enviada para Guayaquil, no Equador continental. 

Aeroporto Ecológico de Galápagos
Aeroporto Ecológico de Galápagos
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Aeroporto Ecológico de Galápagos

Na segunda-feira, 29 de Março, as autoridades prenderam um polícia, “que será processado por sua suposta responsabilidade no acto”. O Ministério Público anunciou que será acusado do crime contra a flora e a fauna selvagens, punível com pena até três anos.

Ainda não é possível identificar de que ilha são originárias as tartarugas. Existem 15 espécies de tartarugas-gigantes nas Galápagos. Alimentam-se de ervas, folhas, cactos e fruta, mas podem sobreviver durante um ano sem alimentos nem água. Foram caçadas quase até desaparecerem por marinheiros que as armazenavam nos navios como alimento durante as longas viagens náuticas. O tráfico, que no país da América Central pode ser punido com pena de prisão até três anos, é agora um dos principais entraves à sua protecção.

​O aeroporto Ecológico de Galápagos assinou, em 2016, a Declaração do Palácio de Buckingham sobre a prevenção do tráfico de espécies selvagens no sector dos transportes, comprometendo-se assim a informar as autoridades sobre possíveis bagagens suspeitas de conter espécies protegidas, para que o crime seja investigado. As autoridades estão a interrogar os funcionários do aeroporto e da empresa de transporte de bagagens. 

Danny Rueda, director do Parque Nacional das Galápagos, salvaguardou que “a formação dos guardas-florestais na revisão da carga e da bagagem tem impedido este e outros casos de tráfico de espécies”. “Os infractores irão sempre procurar formas de escapar aos controlos”, disse, garantindo que as crias não pertencem aos criadouros em cativeiro da reserva. “A origem está a ser investigada, visto que a área protegida onde as tartarugas se desenvolvem no seu estado natural é extensa”, concluiu.