Com dois anos de atraso, o 10 de Junho vai chegar à Madeira

Marcelo aceita, dois anos depois, o convite das autoridades regionais e homenageia profissionais de saúde, convidando médica para presidir às comemorações (que se estendem à Bélgica) do Dia de Portugal.

Foto
Marcelo Rebelo de Sousa nos Estados Unidos, na comemoração do Dia de Portugal de 2018 LUSA/NUNO VEIGA

Dois anos, três eleições e uma pandemia depois, Marcelo Rebelo de Sousa vai à Madeira assinalar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O Presidente da República confirmou nesta quarta-feira, numa nota publicada no site da presidência, que as comemorações do 10 de Junho vão decorrer este ano no Funchal e em Bruxelas, nomeando a directora do Serviço de Cirurgia do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, Carmo Caldeira, para coordenar a comissão organizadora.

De uma assentada, Marcelo pretende compensar o Funchal, que desde 2019 vem pedindo que a data seja assinalada na região autónoma, e homenagear os profissionais de saúde do país, ao escolher uma médica para presidir à comissão que vai organizar as cerimónias do dia de Portugal.

“Neste tempo de pandemia, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa quis também homenagear os profissionais de saúde, tendo nomeado para presidir à comissão a dra. Carmo Caldeira, directora do Serviço de Cirurgia do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal”, lê-se na nota que enquadra o despacho da Presidência da República, que designa o Funchal como sede das comemorações, este ano, do 10 de Junho, estendendo as celebrações a Bruxelas.

No ano passado, a data devia ser assinalada no Funchal e na África do Sul, país com uma numerosa comunidade madeirense, mas a pandemia fez Marcelo recuar, e optar por uma celebração discreta, nos Jerónimos. Uma opção que, embora entendida na Madeira, não foi completamente satisfatória, pois desde 2019 que o governo madeirense e o PSD local reivindicam que o Dia de Portugal seja comemorado no arquipélago.

Desde que chegou a Belém, Marcelo tem optado por descentralizar as celebrações do 10 de Junho, percorrendo o país e as principais comunidades de emigrantes. Em 2016, a data foi assinalada entre Lisboa e Paris. No ano seguinte, no Porto e no Rio de Janeiro. Em 2018, partilhada entre os Açores e os Estados Unidos. No ano seguinte, a Madeira queria receber a data, mas o chefe de Estado, depois de consultar o primeiro-ministro António Costa, considerou inapropriado, por ser ano de eleições europeias, regionais e legislativas. No entender de Marcelo, a presença na Madeira poderia ser aproveitada politicamente, num ano de grande intensidade eleitoral, em que o PSD jogava a sobrevivência e o PS apostava tudo.

A decisão de levar as comemorações para Portalegre e Cabo Verde foi mal recebida pelos responsáveis políticos do governo madeirense e do PSD, que acusaram Marcelo de estar a “fazer o jogo” de António Costa e do PS-Madeira.

Irredutível, o Presidente da República anunciou que ia à Madeira sim, mas no ano seguinte (em 2020), para assinalar o 10 de Junho, numas comemorações que se estenderiam à Africa do Sul. Marcelo escolheu mesmo o arcebispo e poeta madeirense Tolentino Mendonça para presidir às comemorações, mas a covid-19 baralhou tudo, e a Madeira teve que esperar.