Estratégia de testagem já tem task force e vai fazer chegar testes a sem-abrigo, trabalhadores sazonais e migrantes

Na lista de tarefas do grupo, liderado pelo presidente do Instituto Nacional de Saúde doutor Ricardo Jorge, Fernando Almeida, e que reunirá pela primeira vez esta quinta-feira, está a criação de um plano de gestão da reserva estratégica de testes.

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Além de aos trabalhadores essenciais, a testagem massiva vai chegar aos transportes públicos e às populações mais vulneráveis como os sem-abrigo Paulo Pimenta (arquivo)

A estratégia de testagem em Portugal já tem uma task force criada, que vai ser coordenada pelo presidente do Instituto Nacional de Saúde doutor Ricardo Jorge (Insa), Fernando Almeida, e vai fazer chegar os testes de rastreio para a infecção pelo novo coronavírus aos trabalhadores sazonais, aos sem-abrigo e aos migrantes, bem como a outras populações vulneráveis.

A primeira reunião deste grupo de trabalho está agendada para esta quinta-feira, mas, na reunião de ontem do Infarmed, o médico de saúde pública do Insa, Ricardo Mexia, foi adiantando que caberá àquele grupo (que integrará ainda um elemento a indicar pelo Governo, outro pela Direcção-Geral da Saúde, e representantes das administrações regionais de saúde, além do INEM e da Cruz Vermelha, entre outros) assegurar a criação de um plano de gestão da reserva estratégica de testes, em articulação com as diferentes entidades da área.

“O objectivo é a promoção da testagem massiva e sistemática da população, mas pretende-se que essa testagem seja feita com base em critérios objectivos, claros e adequados ao contexto”, adiantou Ricardo Mexia, para precisar que as linhas estratégicas dos planos de testagem serão dinâmicas, isto é, terão em conta a evolução epidemiológica nos diferentes contextos, “seja do ponto de vista geográfico, seja do ponto de vista das áreas de actividade” e a da sua maior exposição, como sejam “a prestação dos cuidados de saúde, os transportes públicos e as populações mais vulneráveis”, onde se incluem “os trabalhadores sazonais, os migrantes e os sem-abrigo, além de outras que venham a ser identificadas”. A estratégia de testagem não excluirá, claro, “os profissionais dos serviços essenciais, como as forças de segurança, os serviços de saúde e os bombeiros, entre outros”.

O modelo a adoptar “é participativo”, isto é, deverá envolver, além das autarquias e da própria administração central, todo o sector social, onde se integram creches, lares de idosos e unidades da rede de cuidados continuados integrados, e também o privado, nomeadamente as farmácias, o sector do comércio, indústria e agricultura, além da organização de eventos de massa. E, como a ideia é garantir que a estratégia de testagem possa, a cada momento, adaptar-se à evolução da situação epidemiológica, há necessidade de criar “um sistema de notificação simplificado e ágil” e com “uma forte ligação à capacidade de resposta”, para assegurar o isolamento de casos e o rastreio de contactos de risco.

Testes: taxa de positividade chegou aos 19,96%

A periodicidade dos testes e o modelo de testagem terão ainda de ser acertados com a Direcção-Geral da Saúde, sendo certo que, como sublinhou ainda Ricardo Mexia, “os testes antigénio e por PCR são complementares e não se substituem uns aos outros”, nomeadamente por causa da necessidade de se “manter a vigilância virológica e a identificação das cadeias de transmissão e da sua transmissão ao longo do território”, além das variantes em circulação.

No passado dia 19 de Março, a taxa de positividade dos testes (um dos factores que poderá accionar os alarmes capazes de fazer atrasar o calendário do desconfinamento) tinha descido aos 1,4%, muito abaixo, portanto, dos 4% que o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) apontou como máximo recomendado.

“O pico da taxa de positividade foi registado em 31 de Janeiro, com 19,96%”, recuou Mexia, para elencar os resultados das operações de testagem efectuadas nas primeiras duas semanas de Março nas prisões (14.700 testes, com uma taxa de positividade “a rondar os 7%”) e nas escolas (“mais de 80 mil testes feitos e a taxa de positividade foi inferior a 0,1%”). Na rede nacional de cuidados continuados integrados, houve 60 mil testes e uma taxa a rondar os 4,5%, enquanto nos lares de idosos, dos 150 mil testes efectuados, houve 2627 positivos.