A literatura tem cor? A tradução tem cor? A identidade importa?

Será preciso ter a mesma cor, o mesmo género, o mesmo perfil para traduzir ou interpretar alguém? Quem fala? Quem pode falar? As perguntas no debate sobre tradução, literatura e identidade a partir da polémica suscitada pela tradução do poema de Amanda Gorman.

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“Quando amanhece, perguntamo-nos/ ‘onde encontrar luz nesta interminável sombra?’/ A perda que carregamos, um mar para vadear. Enfrentámos a barriga da besta./ Aprendemos que sossego nem sempre é paz,/ e as normas e noções de ‘justo’ nem sempre são de justiça.” São os seis primeiros versos do poema de Amanda Gorman The Hill We Climb, que Raquel Lima traduziu a convite da Casa Fernando Pessoa. “O maior desafio foi a tentativa de preservar a força da Amanda, o seu sentido de humor, eloquência, inteligência, sensibilidade e, acima de tudo, confiança sobre a sua participação poético-política na sociedade. Para tal considerei o seu ritmo, a ênfase nas palavras e pausas, os gestos, a cadência, as rimas, a respiração e a hesitação, socorrendo-me por vezes da pergunta ‘como é que eu diria isto em palco se o poema fosse meu?’”. É assim que Raquel explica ao Ípsilon o método usado para traduzir um poema que está no centro de uma discussão que ultrapassa a literatura e se situa no campo das políticas de identidade.

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