Traficantes rechearam peças de engenharia pesada com 800 quilos de cocaína

PJ nunca tinha deparado com a utilização de isoladores sísmicos, destinados a absorver impacto de terramotos em pontes e estradas, para esconder droga.

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Nelson Garrido

Um apurado trabalho metalomecânico permitiu esconder e agora revelar 806 quilos de cocaína dissimulados dentro de peças de engenharia destinadas a proteger estradas e pontes do impacto dos sismos.

Segundo um comunicado emitido pela Polícia Judiciária nesta segunda-feira de manhã, a droga vinha da América Latina e foi transportada de barco. Uma dúzia de isoladores sísmicos, peças fabricadas em aço e borracha, ocultavam no seu interior os 800 quilos de cocaína. Baptizada como Sismo, a operação policial para desmantelar esta rede de tráfico de estupefacientes decorreu no final da semana passada e foi levada a cabo em articulação com a polícia espanhola, uma vez que parte dos isoladores sísmicos se destinava àquele país.

“A forma como a droga vinha dissimulada tornou extremamente difícil a sua detecção e, para se proceder à sua remoção do interior daquelas peças de engenharia, foi necessário recorrer a maquinaria pesada de corte, habitualmente utilizada na indústria de metalomecânica”, refere o mesmo comunicado, adiantando ainda que esta forma de traficar estupefacientes era até agora desconhecida das autoridades.

Foram detidos dois homens em território nacional, de 46 e 47 anos, que já eram conhecidos da polícia mas por razões diferentes destas: têm antecedentes na área da falsificação de documentos. Depois de terem sido sujeitos a interrogatório judicial, foi-lhes aplicada prisão preventiva. Antes deles já tinham sido detidos dois homens e identificada uma mulher suspeitos de ligações à mesma rede de traficantes, tendo também sido apreendida uma elevada quantidade de cocaína.

As diligências realizadas em Portugal ficaram a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes e da directoria do Norte da Polícia Judiciária, tendo contado com o apoio da Autoridade Tributária e Aduaneira.

Quando foram apreendidas, as peças de engenharia já não se encontravam no porto onde foram desembarcadas, mas sim em armazéns. Embora ainda seja produzido em fábrica para outros países, este tipo de isolador sísmico, destinado a absorver o impacto de um terramoto, já não é habitualmente usado em Portugal.