Memórias em chamas: a explosiva catarse rock de Chinaskee

Bochechas, segundo longa duração do músico lisboeta, é rock sónico visceral mas é também catarse da infância e introspecção perante o presente. Matéria sónica irresistível. Vitória total.

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Diana Matias

Ouvimo-lo no ecrã intermediário da entrevista, num quarto com guitarra em fundo. Chinaskee está a recordar ao Ípsilon concertos já não tão recentes, daquela outra vida que tínhamos antes de o vírus nos cair em cima. “O público a querer dançar, pessoas às cavalitas e eu apaixonado por ver essa magia do rock”, diz o músico nascido Miguel Gomes e que assina com subtil variação do célebre alter ego de Charles Bukowski, Henry Chinaski. Enquanto Chinaskee & Os Camponeses, Miguel editou em 2017 uma pérola de psicadelismo e rock onírico, Malmequeres, tudo luz sonhadora de um Verão adolescente. Quatro anos está depois noutro lugar. O mesmo músico, viragem radical. Bochechas é o título do novo disco, golfadas de rock sónico a despertarem-nos o desejo pela vida que se foi e que se espera que volte. Encontro, toque, euforia, pessoas a dançar — cavalitas facultativas.

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