Confinamento está em “erosão”: mais de 59% dos portugueses saíram à rua na sexta-feira

A mobilidade dos portugueses no dia 5 de Março foi apenas 17 pontos percentuais inferior à mobilidade pré-pandemia. Os dados foram compilados pela consultora de dados PSE que alerta para uma “erosão do lockdown

Foto
Final de Fevereiro no Chiado Rui Gaudencio

Na sexta-feira, 5 de Março, 59,3% dos portugueses saíram à rua — o maior valor de mobilidade registado desde o dia 15 de Janeiro, inferior apenas em 17 pontos percentuais relativamente à mobilidade pré-pandemia. Os números foram compilados pela consultora PSE, especializada em ciências de dados, que nota que a tendência de maior mobilidade às sextas-feiras tem vindo a aumentar gradualmente desde dia 22 de Janeiro. 

"[Um] sinal claro de que o segundo lockdown’ está em erosão é o aumento da frequência de vezes com que saímos de casa, em cada semana”, considera a equipa da PSE num comunicado enviado às redacções neste sábado. 

Enquanto na quarta e na quinta semana do confinamento apenas 12% das pessoas saíam de casa num espaço de 6 ou 7 dias, na primeira semana de Março (que foi a oitava do confinamento), o valor aumentou para 20%.

Sexta é dia de sair à rua

A consultora de dados ressalva, no entanto, que a mobilidade dos portugueses tem sido sempre maior à sexta-feira. 

“As sextas-feiras são sempre dias de maior mobilidade. Essa tendência é também verdade no contexto de pandemia e em especial neste segundo lockdown”, explica a equipa da PSE. Por norma, antes de Março de 2020, a circulação normal às sextas-feiras rondava os 76%. Já durante o primeiro confinamento, apenas cerca de 41% da população circulava.

A análise do painel da PSE baseia-se numa recolha de dados contínua, feita através de monitorização de localização e meios de deslocação via aplicação móvel de uma amostra de 3670 indivíduos representativos do universo dos portugueses com mais de 15 anos, residente nas regiões do Grande Porto, Grande Lisboa, Litoral Norte, Litoral Centro e Distrito de Faro.

Foto
Paragem de autocarro em Lisboa no final de Fevereiro Rui Gaudencio