Infraestruturas de Portugal: 90% das obras estão em estado de conservação razoável ou bom

Empresa investiu 300 milhões de euros na última década na inspecção e manutenção das chamadas obras de arte - pontes, tuneis, viadutos. Para este ano de 2021 está previsto um investimento de 35 milhões.

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Nelson Garrido

A Infraestruturas de Portugal (IP) é responsável pela gestão de cerca de 7800 obras de arte, aquilo que, em engenharia, se chama a pontes, viadutos, túneis, passagens hidráulicas. E é por isso, também, a responsável pela inspecção periódica ao estado de cada uma destas obras, de forma a garantir que não voltam a acontecer tragédias como aquela que, há 20 anos, sucedeu na ponte de Entre os Rios. E, nesta fase, em comunicado, e em resultado da campanha inspectiva que efectuou em 2020, a IP assegura que 90% das obras de arte que tem a seu cargo “apresentam um estado de conservação que varia entre o Razoável e o Bom”. E para as obras de arte identificadas com necessidades de intervenção “há planos de intervenção no curto prazo”.

Esta garantia dada pela empresa pública é possível após dez anos de trabalho regular na inspecção destas infraestruturas e 300 milhões de euros depois. Foi este o volume de investimento efectuado ao longo dos últimos anos, com a realização de inspecções a todas as estruturas e a definição de uma estratégia de intervenções programadas, e que contribuíram para o que a IP diz ser o “incremento do nível de qualidade e conservação das estruturas” e um “ciclo normalizado de gestão e investimento nas Obras de Arte” que tem a seu cargo.

De acordo com a informação tornada pública pela IP estas obras de arte pertencem maioritariamente à rede rodoviária nacional (são cerca de 5800 pontes, tuneis e viadutos), sendo que a rede ferroviária nacional absorve ainda 20% desta infra-estruturas, com cerca de 2000 obras de arte a necessitar de gestão e manutenção.

A empresa pública assegura ter implementado um Sistema de Gestão de Obras de Arte (SGOA), que lhe permite “um conhecimento pormenorizado e permanente das obras de arte e sua condição estrutural”. A empresa inscreve no seu relatório de actividades cerca de quatro mil acções inspectivas todos os anos em estruturas da sua responsabilidade. E é esse SGOA que determina, assegura, quais as obras prioritárias a receber intervenção. Sem mencionar quais são as obras de arte que merecem intervenção prioritária este ano, a IP limita-se a informar que inscreveu um investimento de 35 milhões de euros para esta actividade em 2021.

De acordo com a IP, aquele sistema de gestão vai incorporando a informação recolhida através das actividades periódicas de inspecção, informação essa que permite à empresa “assegurar que estas estruturas são seguras e adequadas para utilização, detectar antecipadamente eventuais necessidades de intervenção, bem como, priorizar as decisões de investimento, identificando o momento economicamente mais vantajoso para a sua reabilitação”.

Estas actividades de inspecção e diagnóstico são asseguradas por especialistas técnicos da IP, com a capacidade para realização de inspecções subaquáticas, mas a empresa reconhece que recorre, sempre que necessário, à “contratação de serviços técnicos especializados de apoio à inspecção e diagnóstico da condição das obras de arte”.

“Hoje a empresa detém um conhecimento aprofundado e permanente do estado de cada uma das estruturas a seu cargo directo, que lhe permite garantir a boa gestão da conservação de todo este vasto património e a optimização dos valores de investimento necessários”, assegura a empresa.