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Cabo Verde: a viagem de Cousteau dá nova vida às casas de Porto Mosquito

"É maravilhoso. A nossa zona mudou de figura", comenta Nazolino Cabral, morador de Porto Mosquito que espera que os novos murais se tornem uma atracção turística. Um tubarão, polvo, golfinhos, tartarugas, peixes, algas, entre muitas referências ao mar, colorem agora as fachadas de casas desta aldeia piscatória na ilha de Santiago. A figura central é o navegador Jacques Cousteau, que por aqui esteve há quase 75 anos em investigações.

LUSA/FERNANDO DE PINA
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O projecto é da Associação Lantuna e o primeiro mural foi pintado em 2018 para sensibilizar as pessoas sobre a conservação das aves marinhas em Porto Mosquito, comunidade piscatória no concelho da Ribeira Grande de Santiago, com pouco mais de mil habitantes, e que dista 20 quilómetros da capital de Cabo Verde, a cidade da Praia. 

A ideia de "agarrar" na imagem de Jacques-Yves Cousteau, oficial da marinha que se tornou um dos maiores divulgadores e investigadores dos mares até à sua morte em 1997, nasceu do facto de este ter passado pela "Baía do Inferno em 1948, juntamente com o biólogo Théodore Monod e o físico Auguste Piccard". Pretende-se "sensibilizar a comunidade e tornar também a aldeia de Porto Mosquito numa referência turística”, explica Ana Veiga, directora executiva da Associação Lantuna. Criada em 2013, esta associação ambiental trabalha desde então na Baía do Inferno, juntamente com as comunidades locais, para a conservação da biodiversidade marinha e terrestre.

Com murais dos artistas cabo-verdianos Hélder Cardoso, Tutu Sousa, Admir Inocêncio e Tony Caia, o projecto tem parceria da Embaixada de França em Cabo Verde. 

Cousteau e companhia estiveram na baía para testar o Batiscafo, pequeno submarino em testes para alcançar os 2000 metros de profundidade e aceder a zonas inacessíveis.

O projecto "vivo" deverá continuar com a pintura de mais casas em Porto Mosquito. "Já há uma grande adesão da comunidade local, basicamente todas as pessoas querem ter pinturas nas suas casas", garantiu Ana Veiga à Lusa. "O nosso intuito é contribuir também para a auto-estima da comunidade" e "mostrar que, além de ser uma zona piscatória, antigamente esquecida", tem o "seu valor turístico", além de se pretender "relembrar a história de Cabo Verde".

Uma das casas que foi pintada foi a de Nazolino Cabral, 34 anos. A sua fachada está agora muito colorida e exibe um enorme polvo. "É maravilhoso. A nossa zona mudou de figura. Neste momento sou um dos 15 jovens que frequentam um curso de guia turístico de montanha e vai ajudar-nos muito a atrair mais visitantes para a localidade porque explicaram-nos o que significa cada desenho", comentou.

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