Com a pandemia, o consumo de eletricidade em casa aumentou 14,9% e nos serviços desceu 18,3%

No sector dos transportes, o consumo de gasóleo caiu 18,2% e o de gasolina 21,1% nas gasolinas. Na aviação, a redução foi de 70,9% no consumo de jet fuel.

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Manuel Roberto

O impacto económico e social da pandemia de covid-19 também se vê no consumo de energia, dos particulares, mas também dos serviços e indústria. De Março a Dezembro de 2020, as medidas de prevenção da pandemia, como os períodos de confinamento e o teletrabalho, traduziram-se num forte aumento do consumo de electricidade (+14,9%) nos clientes domésticos e a uma não menos impressionante redução no sector dos serviços (-18,3%), comparativamente a igual período de 2019.

De acordo com as Estimativas Rápidas do Consumo Energético, da Direcção-Geral da Energia e Geologia (DGEG), divulgadas este domingo, 14 de Fevereiro, a queda no sector da indústria foi de 5,6%.

A entidade salvaguarda, no entanto, que no conjunto de toda a actividade económica, a qual se acrescem os consumos de energia eléctrica referentes aos transportes ferroviários e à agricultura e pescas, o consumo de electricidade de Março a Dezembro de 2020 terá diminuído em 3,8% face a 2019.

No caso do gás natural, a inversão de consumos foi praticamente semelhante: aumentou 17,5% no sector doméstico e caiu 20,3% e 9,0% nos sectores dos serviços e indústria, respectivamente.

No sector dos transportes, na componente rodoviária, registou-se uma quebra de 18,2% no gasóleo e de 21,1% nas gasolinas. Já na aviação, a quebra foi bastante mais acentuada, de 70,9% no consumo de jet fuel, explicada pelo longo período de paragem total, a que se seguiu uma recuperação muito reduzida, da actividade.

Nos serviços, a maior queda de consumo de electricidade (-43,4%) verificou-se em Abril, mês de confinamento obrigatório, com paragem de boa parte das actividades económicas deste sector.

Ao nível da indústria, observou-se uma quebra acentuada em Abril, mantendo-se o consumo baixo durante três meses, mas verificou-se depois uma recuperação que se manteria até ao final do ano, segundo as estimativas da DGEG. Ainda neste sector, registou-se uma forte queda em Abril e Maio, após a qual se observou uma recuperação do consumo, estabilizando em Agosto com valores semelhantes aos do ano 2019.

No que respeita ao consumo de energia, o sector dos transportes foi “o mais penalizado pela pandemia covid-19”, destaca o organismo tutelado pelo Ministério da Economia, que alerta para o facto de, em Março, o consumo de gasóleo e gasolinas, já terem sido inferiores aos de 2019, tendo sofrido uma queda abrupta em Abril, e não se aproximando mais dos consumos típicos mensais. Nesse mês, registou-se uma queda de 47% no consumo de gasóleo e de 57% nas gasolinas.

A paralisação da aviação em Abril originou uma redução de 93% no consumo de jet fuel, face ao mesmo mês do ano anterior, mantendo-se muito reduzido (-70,9%) no conjunto dos 10 meses.

No conjunto do ano, e segundo dados da REN – Redes Energéticas Nacionais, empresa responsável pela gestão global dos sistemas nacionais eléctrico e de gás natural, o consumo de electricidade atingiu em 2020 o valor mais baixo desde 2005, de 48.800 GWh, uma queda de 3,1% face a 2019 ou de 3,7% considerando correcções de temperatura e dias úteis

As baixas temperaturas e o novo período de confinamento, com a obrigatoriedade, sempre que possível, do teletrabalho voltaram a fazer disparar as despesas das famílias em consumo de electricidade e gás