Ex-embaixador na Grécia é o novo Presidente da Líbia no governo de unidade nacional

Lista de Mohamed Menfi, que terá o empresário Abdul Hamid Dbeibé como primeiro-ministro, superou a favorita liderada pelo presidente do Parlamento, Aguila Salé. “É uma muito boa notícia nesta nossa procura da paz”, afirmou António Guterres.

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Este sábado foi dia de festa na Líbia depois de na véspera a lista do ex-embaixador líbio na Grécia ter sido escolhida para chefiar o governo de unidade nacional interino de transição que liderará a Líbia até às eleições no final deste ano. Mohamed Menfi conseguiu superar o aparente favoritismo da lista do presidente do Parlamento, Aguila Salé.

Tanto Menfi, como Abdul Hamid Dbeibé, um empresário e activista de Misrata que será o novo primeiro-ministro, não poderão participar nas eleições de 24 de Dezembro de 2021, tal como ficou estabelecido nas regras do processo de paz iniciado em 2019, sob os auspícios da ONU, no Fórum de Diálogo Político Líbio, para pôr fim a quase sete anos de guerra civil.

Além de Menfi, como presidente do Conselho Presidencial, e de Dbeibé como primeiro-ministro, foram eleitos também os outros membros do conselho, onde estão representadas as três regiões do país, são eles Musa al-Koni e Abdullah Hussein. Menfi representa a outra.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, acolheu com “satisfação” a eleição “que reflecte o pluralismo político, a representação geográfica e o seu compromisso de incluir pelo menos 30% de mulheres em cargos executivos, assim como garantir a participação dos jovens”.

“É uma muito boa notícia nesta nossa procura da paz”, sublinhou Guterres, reiterando o apoio da ONU ao povo líbio, que “avança na direcção correcta”, pedindo apenas que sejam respeitados os princípios e prazos estabelecidos em relação às eleições.

“O Diálogo Político Líbio não terminou as suas funções. Tem um papel fundamental a desempenhar nos próximos meses como supervisores do roteiro que adoptaram em Tunis”, disse, por seu lado, a enviada especial da ONU para a Líbia, Stephanie Williams.

Porque se se trata de um “momento histórico”, como lhe chamou a enviada das Nações Unidas, “os desafios não estão ultrapassados”, pedindo às autoridades de transição que “respeitem” a “unidade e a inclusão” que se foi construindo ao longo do tempo no Fórum de Diálogo Político Líbio.

Os governos de França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos saudaram o acordo alcançado em Genebra sobre o Governo de Unidade Nacional. Numa declaração conjunta sublinharam que “este passo decisivo para alcançar uma solução política negociada e inclusiva é resultado de um processo genuinamente conduzido e controlado por líbios, a mediação das Nações Unidas e o apoio do povo líbio”.

“Pedimos a todas os actuais actores e autoridades líbias para assegurar uma transição construtiva e tranquila de todas as competências e deveres para a nova autoridade executiva unificada”, acrescenta a declaração.