Então e a “Geração à Rasca”?

Hoje, quando chegarem ao mercado de trabalho, a probabilidade de os jovens satisfazerem os seus sonhos pessoais e profissionais é muito mais baixa do que há dez anos.

Estamos certamente todos relembrados do slogan “Geração à Rasca” utilizado em 2011 durante uma das maiores manifestações que o país viu depois do 25 de Abril — num contexto de grandes dificuldades em Portugal, as gerações mais novas decidiram sair à rua para reclamarem pelo seu direito genuíno a poderem ter um futuro. Passados dez anos, e agora que uma nova geração entra no mercado de trabalho, é importante perceber se o caminho feito até agora permitiu uma mudança significativa da situação em Portugal ou se estamos apenas a hipotecar gerações em cima de gerações.

Comecemos pela demografia — em 2019 éramos menos 60 mil jovens (15-24 anos) do que éramos em 2011 [1]. Com a diminuição dos mais jovens, caminhamos para uma situação em que o fardo que vamos colocar nas gerações futuras com o pagamento de reformas irá aumentar e isso significa diretamente um menor rendimento disponível para os jovens. 1-0 e estamos piores!

Em 2011, o desemprego entre os 15-19 e entre os 20-24 anos era 3,7 vezes e de 2,0 vezes, respetivamente, maior do que a média nacional. Já em 2019, o desemprego entre os 15-19 e entre os 20-24 anos foi 4,2 vezes e de 2,4 vezes maior, respetivamente, que a média nacional. Ou seja, estamos pior do que estávamos em 2011 [2], ano crítico da troika. Este parâmetro está diretamente correlacionado com as oportunidades de emancipação dos jovens – a oportunidade de saírem de casa dos pais para poderem começar a sua vida e desenvolverem a sua família. Caso para dizer, 2-0 e continuamos piores!

Ainda em 2011, a remuneração média dos trabalhadores por conta de outrem (PPS) [3] em Portugal era de 24.494 €/ano o que, ajustado à inflação [4], se traduz em 26.306 €/ano em 2019. Ora em 2019 o valor real dos rendimentos médios era de 26.061€/ano, o que significa que, apesar do aumento de 6,4% no valor absoluto dos rendimentos, em termos relativos os portugueses perderam 245 €/ano. Já com lágrimas, 3-0 e ficámos piores!

Estes e outros números mostram que hoje, quando chegarem ao mercado de trabalho, a probabilidade de os jovens satisfazerem os seus sonhos pessoais e profissionais é muito mais baixa do que há dez anos.

Mas quais as causas? Num país em que quase tudo deriva do poder executivo do Governo, nos últimos dez anos, quatro foram governados por um governo do PSD/CDS (que governou com um programa de resgate assinado por um governo PS) e os restantes seis anos foram governados por um governo do PS. É verdade que atualmente não há manifestações na rua, mas estamos mais à “rasca” do que nunca e a causa é só uma — o socialismo!

A Iniciativa Liberal defende uma perspetiva completamente diferente da sociedade. O Liberalismo centra o Estado nas suas tarefas essenciais ao mesmo tempo que defende igualdade de oportunidades para todos, permitindo aos cidadãos tirar o maior partido possível da sua ambição – diminuição da burocracia e da carga fiscal, aumento da escolha na educação e na saúde. O Liberalismo é um facilitador de sonhos!

Enquanto Portugal viveu dez anos de socialismo, vejamos os números de um país com dez anos de políticas liberais – a Holanda!

  • Portugal perdeu 60 mil jovens, a Holanda aumentou 90 mil jovens;
  • Em Portugal, a taxa de desemprego jovem versus a taxa de desemprego global aumentou, na Holanda a taxa de desemprego dos 15-19 anos versus a taxa de desemprego global diminuiu e dos 20-24 anos manteve-se inalterada;
  • Em Portugal, o aumento da remuneração média dos trabalhadores por conta de outrem (PPS) foi de 6,4%, na Holanda aumentou 8,3%;

Existem muitas visões para o futuro de Portugal, mas construir nos próximos dez anos um Portugal ainda mais socialista é continuar a andar para atrás. Portugal precisa de apostar numa visão nova de sucesso – Portugal precisa de ser Liberal!

[1] Pordata, População, População Residente, Estimativas a 1 de Janeiro por grupo etário
[2] Pordata, Emprego e Mercado de Trabalho, População Desempregada, Taxa de desemprego por grupo etário
[3] Pordata, Emprego e Mercado de Trabalho, Salários, Remuneração média dos trabalhadores por conta de outrem (PPS)
[4] Pordata, Macroeconomia, Preços e Deflatores, Taxa de Inflação por tipo de bens e serviços

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico