“Temos mesmo de travar a escalada em curso. Já”, diz Presidente

“O que fizermos todos até Março, inclusive, determinará o que vão ser a Primavera, o Verão e, quem sabe, o Outono”, avisa Marcelo Rebelo de Sousa, sugerindo confinamento prolongado.

Foto
Marcelo falou ao país em voz de comando LUSA/MIGUEL FIGUEIREDO LOPES/PR

O Presidente da República avisou o país que este é o momento mais difícil da pandemia e subiu o tom do confinamento, sugerindo mesmo que pode durar até Março. 

“Temos mesmo de travar a escalada em curso. Já”, disse Marcelo Rebelo de Sousa numa declaração ao país logo após assinar o decreto de renovação do estado de emergência até 14 de Fevereiro.

“O que fizermos todos até Março, inclusive, determinará o que vão ser a Primavera, o Verão e, quem sabe, o Outono”, alertou. “E joga-se tudo nestas próximas semanas. Até Março, inclusive”.

Depois de reeleito no domingo, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a falar ao país, em tom de comando. Dirigiu-se aos portugueses: “Temos de ser mais estritos, mais rigorosos, mais firmes no que fizermos e no que não fizermos – ficar em casa, sair só se imprescindível e com total protecção pessoal e social”.

E depois ao Governo: É preciso testar mais, “vacinar sempre melhor e mais depressa”.

E a seguir à oposição: “Ninguém de bom senso quereria fazer passar centenas ou um milhar de titulares de cargos políticos, ou funcionários, de supetão, à frente de milhares de idosos com doenças as mais graves, e, por isso, de mais óbvia prioridade”, disse, respondendo directamente a críticas feitas, entre outros, por André Ventura no Parlamento.

Mostrando total sintonia com o Governo, o Presidente caucionou o “controlo de fronteiras na entrada e na saída e, em auto-confinamento, a limitação da deslocação de nacionais para fora do continente”. Justificou: “Se for verdade que, desta vez, a vaga começou a Ocidente e Portugal é dos primeiros e não dos últimos a sofrer a pandemia, então é preciso agir depressa e drasticamente”.

Incentivou a contratação de reformados, reservistas e formados no estrangeiro para “esgotar todas as hipóteses de resposta” de profissionais de saúde. Interpelou o Governo quando exigiu que o país tem de estar preparado para “confinamento e ensino à distância mais duradouros do que se pensava antes desta escalada”.

Marcelo sabe que custa, mas garante que vale a pena: “Sabemos todos que o custo brutal destas medidas mais duras é, de longe, muito inferior ao custo em vida, saúde, economia e sociedade destruídas com uma pandemia que vá até Outubro deste ano”.

Apela a que se siga o exemplo dos profissionais de Saúde “em carácter, consistência, entrega e espírito de missão”. Diz que o momento é este, não outro, e que ainda vamos a tempo: “Este é tempo de fazermos todos, poderes públicos e portugueses, mais e melhor”. E em cinco minutos, está apontado o rumo.