“Se soubessem que cheguei ao ponto de ter de pedir uma refeição, não voltaria a ser contratada”

À medida que a crise pandémica avança, aumentam os que de forma envergonhada engrossam as filas de distribuição de refeições. São os desempregados dos ginásios, da restauração, dos cafés e dos eventos, a juntarem-se aos sem-abrigo e reformados de sempre. Reportagem no projecto “Porta Solidária”, no centro do Porto.

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“É preciso declaração para vir buscar comida amanhã?”, pergunta baixinho a senhora, roupas limpas e cabelo cuidado, enquanto recolhe o seu saco da comida que há-de ser o seu jantar, numa pressa sem paragens e sem direito a perguntas intrusivas dos jornalistas. A pergunta repete-se na boca de vários dos que, na quinta-feira à noite, a poucas horas de o país se fechar num novo confinamento geral, enfrentaram o frio para recolher a refeição gratuita no projecto “Porta Solidária”, que a paróquia do Marquês tem a funcionar no centro do Porto.

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