Albergaria-a-Velha coloca cargo bikes ao serviço da população e comerciantes

Às quartas e sábados, dias de mercado, há voluntários disponíveis para transportar os sacos de compras dos clientes. O projecto vai agora evoluir para uma segunda fase, colocando as bicicletas ao serviço dos comerciantes.

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Adriano Miranda
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Os sacos até que nem estavam muito pesados, mas qualquer ajuda é sempre bem-vinda. “Especialmente, quando se tem bronquite”, testemunhava Alice Santos, uma das clientes do mercado de Albergaria-a-Velha que na manhã da última quarta-feira usufruiu dos serviços (gratuitos) das cargo bikes que ali estão estacionadas. “É uma ideia muito simpática”, avaliava, depois de confessar que, por conta da doença, muitas vezes chega a casa “aflita, com falta de ar”. “Com a máscara e carregada de compras, ainda pior”, reparava. Naquela manhã, sentia-se mais aliviada. Havia um jovem voluntário da associação Patrulheiros a transportar-lhe as compras na caixa da bicicleta. Um serviço disponibilizado pela Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e que já tem planos concretos para continuar a crescer.

“Inicialmente, o projecto foi pensado para fossem as próprias pessoas a requisitar as bicicletas, mas, quando chegou a pandemia, esse uso partilhado teve que ser repensado, por questões de higiene”, repara José Nuno Amaro, da Nuno Zamaro Indústrias, parceira da autarquia nesta e nas restantes iniciativas do MOB.A (conjunto de acções de implementação de mobilidade ciclável e suave). Mas se é verdade que a Covid-19 veio alterar os pressupostos do funcionamento das cargo bikes, também é um facto que o confinamento ajudou a demonstrar a eficácia daqueles veículos eléctricos. “Foram utilizados para recolher e entregar gratuitamente as compras dos cidadãos”, acrescenta José Nuno Amaro.

Neste momento, é possível ver as bicicletas de carga em acção durante as manhãs de quarta-feira e sábado - ou seja, nos dias de funcionamento do mercado -, conduzidas por voluntários da Patrulheiros (associação que trabalha ao nível da promoção do uso da bicicleta, ambiental e inovação social). “Damos apoio às pessoas que vêm às compras, essencialmente as pessoas de alguma idade, carregando os sacos até casa ou até ao carro”, especifica José Nuno Amaro. Muitas vezes “até são percursos pequenos”, mas os voluntários estão disponíveis para entregar mercadoria “num raio de dois quilómetros”, acrescenta.

O projecto, que levou a que Albergaria-a-Velha tivesse sido destacada no Relatório da Semana Europeia da Mobilidade, publicado no passado mês de Dezembro, tem pernas para continuar. Em Fevereiro, começará a envolver os comerciantes locais, que, depois de receberem uma pequena formação, serão desafiados a começarem a usar estas bicicletas de carga para a entrega das suas encomendas. Virgínia Cardoso, proprietária da Miligrama 14, loja de produtos a granel e de comida vegetariana, é uma das comerciantes que já consta da lista de interessados. “Faz todo o sentido”, adianta. Além de ser prático, este meio de transporte “vai ao encontro do conceito loja, a sustentabilidade”, sublinha.

António Loureiro, presidente da autarquia, espera que outros mais possam juntar-se a esta nova oferta de transporte para fazer chegar aos seus produtos aos consumidores. Tanto assim é que a autarquia está já a pensar adquirir mais bicicletas de carga, reforçando a frota actual (três veículos). O autarca não se compromete com números, uma vez que este “é um processo evolutivo e depende da utilização por parte do comércio”.

Uma peça de grande puzzle

Mais do que a promessa de fazer crescer o serviço das cargo bikes, a autarquia faz questão de sublinhar a abrangência e ambição do MOB.A. “São 23 áreas de actuação e muito trabalho já feito”, com a criação de “um conjunto de infra-estruturas, nomeadamente ciclovias”, realça. “Mas mais importante do que criar essas ciclovias são os projectos nas escolas”, acrescenta o autarca, recordando: “antes de o governo dizer que o primeiro e o segundo ciclos deviam ter utilização da bicicleta na escola, nós já tínhamos quatro turmas a usar a bicicleta na escola”. Em causa a iniciativa POP - Plano Operacional Pedalar, que veio originar a criação do Pré-POP, ou seja, um programa dirigido especificamente aos infantários e jardins-de-infância. “As crianças começam de pequeninas a usar uns triciclos, para que não venham ter medo da bicicleta”, nota o autarca.